Belo Horizonte — Mais de 100 pessoas participam, nesta terça-feira (18/8), de uma manifestação na rodovia MG-010, entre Conceição do Mato Dentro e Dom Joaquim, na Região Central de Minas Gerais, para cobrar respostas da Anglo American após um novo acionamento indevido de uma sirene de emergência da mineradora.
O protesto reúne moradores de comunidades de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Serro e Dom Joaquim, além de integrantes do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
Segundo os organizadores, a mobilização deve continuar até que a empresa dialogue com os moradores e apresente medidas para evitar novos episódios.
De acordo com Larissa Rabelo Nunes, comunicadora popular e integrante da coordenação estadual do MAM, além de moradora do Serro, a sirene foi acionada por volta das 20h40 da última quinta-feira (13/8).
“Este foi o quarto acionamento indevido da sirene. Somente em 2026, este é o segundo episódio registrado. O anterior aconteceu em fevereiro”, contou.
Atualmente, mais de 400 pessoas vivem abaixo da barragem de rejeitos, em uma área classificada como Zona de Autossalvamento (ZAS). Nesses locais, em caso de emergência, os próprios moradores precisam se deslocar até os pontos de encontro estabelecidos no plano de segurança.
“Mas como confiar nesse sistema quando a sirene já foi acionada quatro vezes indevidamente? A cada novo acionamento, a orientação é a mesma: sair imediatamente de casa e seguir para os pontos de encontro. A justificativa apresentada pela Anglo American também permanece praticamente a mesma: ‘acionamento por acidente’. Para as comunidades, essa explicação não é suficiente”, afirmou.
Para Larissa, o problema vai além do susto provocado pelo acionamento da sirene. “É o medo permanente de quem vive abaixo de uma estrutura de mineração e não recebe informações claras sobre o que está acontecendo. É a sensação de impotência diante de uma empresa que opera um empreendimento de alto risco e, ao mesmo tempo, não estabelece um diálogo transparente com as comunidades”, acrescentou.
No episódio da última quinta-feira, segundo relatos das comunidades, a equipe de salvamento da empresa só chegou ao local mais de duas horas após o acionamento. “A demora agravou ainda mais a sensação de abandono e insegurança entre os moradores”, disse.
Ainda de acordo com Larissa, os moradores afirmam não ter informações suficientes sobre a situação da barragem.



Moradores protestam após 4º acionamento indevido de sirene de mineradora em MG
Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)/ DivulgaçãoMoradores protestam após 4º acionamento indevido de sirene de mineradora em MG
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“A sirene já foi acionada quatro vezes e, até agora, a comunidade não recebeu respostas capazes de esclarecer por que isso continua acontecendo, quais foram as falhas que provocaram os acionamentos e, principalmente, quais medidas concretas estão sendo adotadas para impedir que se repita”, afirmou.
Segundo os organizadores, a manifestação seguirá até que a Anglo American dialogue diretamente com as comunidades e apresente respostas e soluções para os recorrentes acionamentos indevidos.
“Não aceitaremos que vidas sejam tratadas como detalhe de um protocolo de segurança. Quem vive na Zona de Autossalvamento não pode ser submetido a sucessivos acionamentos de emergência e, depois, receber apenas a justificativa de que foi um acidente”, disse.
A reportagem entrou em contato com as prefeituras de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Serro e Dom Joaquim e solicitou posicionamento sobre o acionamento das sirenes e as reivindicações apresentadas pelas comunidades. O espaço segue aberto para manifestação.

