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O que significa a escolha do Deutsche Bank para ter “clearing” de Yuan?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
O que significa a escolha do Deutsche Bank para ter “clearing” de Yuan?

O Banco Popular da China escolheu o Deutsche Bank para ser a primeira clearing house” não chinesa para o Yuan na União Europeia. A escolha feita pelo BC chinês marca um passo importante para a internacionalização da moeda chinesa.

Tradicionalmente, as transações internacionais em Yuan são processadas, ou liquidadas, estritamente por filiais dos grandes bancos estatais chineses. Agora, o Deutsche passa a ter a chancela para realizar essa intermediação em transações com a moeda chinesa, ou seja, oclearing” de Yuan.

A escolha faz ainda com que esse ecossistema cambial, antes restrito às filiais, passe a se abrir para companhias financeiras ocidentais. Isso deve facilitar as operações comerciais chinesas com a Europa.

Em nota, o banco alemão afirmou que a nomeação reforça o papel do Deutsche Bank como um elo fundamental entre a China e os mercados financeiros europeus.

O comunicado segue e destaca que o anúncio irá fortalecer “ainda mais” a infraestrutura de compensação em RMB (Renminbi, denominação alternativa para o Yuan) em toda a Europa.

“Garantir a capacidade de compensação em Renminbi na Europa reforça nosso papel como um parceiro global de compensação confiável e nosso apoio de longa data à internacionalização da moeda”, disse Alexander von zur Muehlen, membro do conselho do Deutsche Bank.

O banco reforça ainda que tem estado profundamente envolvido no desenvolvimento da internacionalização do RMB e foi um dos primeiros bancos internacionais a participar diretamente no CIPS (Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços) em 2015. A plataforma tem sido uma alternativa chinesa ao sistema ocidental Swift.

“Com todas essa instabilidade global que tem sido criada pelos EUA, percebemos que existe uma aceleração contrária àquilo que o presidente Donald Trump propôs [de querer isolar a China]. Mas com toda essa instabilidade, a China acelera um processo de aproximação do mundo, criando canais de infraestrutura para que haja uma expansão do Yuan”, explica Alexandre Uehara, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Asiáticos da ESPM.

Apesar do movimento, o dólar segue dominando a participação nas transações internacionais, mas a moeda chinesa tem avançado.

De acordo com dados da rede Swift, o Renminbi já responde por pouco mais de 3% dos pagamentos internacionais, alcançando o patamar de 8% nas transações comerciais diretas.

Mas a condução da política econômica da China pode gerar mais atratividade para a moeda. Um exemplo disso são as taxas de juros chinesas, que têm sido mantidas em patamares historicamente baixos, o que beneficia a captação de recursos.

Uehara concorda que exista um potencial de avanço da moeda chinesa e que, para muitos países, essa “alternativa aos EUA” faz sentido. “Sendo a segunda maior economia, a principal parceira de vários países e sendo um caminho mais barato de fazer as transações, existe o potencial de avanço da moeda”.

Para o especialista, o receio global com o país tem diminuído, os países passam a observar a China como uma alternativa e esse olhar gera a necessidade de planejar infraestruturas para aproximar as relações comerciais.

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