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Ex-cartolas derrubam presidentes do tênis de mesa e do levantamento de peso

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Ex-cartolas derrubam presidentes do tênis de mesa e do levantamento de peso

Um grupo ligado a dois cartolas afastados do poder, derrubou, com duas canetadas, as diretorias de duas confederações olímpicas nos últimos dias: as de Levantamento de Pesos (CBLP) e da Tênis de Mesa (CBTM) – esta última decisão foi revertida nesta quinta-feira (13).

As duas confederações têm em comum o fato de terem sido comandadas por longo período pelos mesmos dirigentes – Alaor Azevedo e Enrique Montero -, que não puderam se reeleger para este ciclo, mas seguiram em cargos executivos depois de fazerem sucessores. Quando romperam com os atuais presidentes e perderam seus cargos, após pressão do Ministério do Esporte, reagiram com um movimento coordenado.

Denúncias anônimas apontando denúncias de irregularidade nas atuais gestões foram enviadas para o Conselho de Ética da confederação de tênis de mesa e para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da confederação de levantamento de peso. Da noite para o dia, e sem ouvir os acusados, os presidentes dos dois órgãos determinaram o afastamento dos atuais dirigentes, nomeando pessoas ligadas às antigas gestões.

Na CBTM, do tênis de mesa, a decisão foi assinada por Gustavo Lopes Pires de Souza, candidato a deputado federal pelo Avante-MG e próximo ao advogado esportivo Marcelo Jucá, a quem nomeou como “administrador provisório” da entidade. Jucá foi diretor jurídico da confederação durante grande parte da gestão de Alaor Azevedo, mas diz não ter mais relação com o ex-presidente, que ficou 30 anos no poder e, quando não pôde mais se reeleger, assumiu cargo de “assessor especial”, com procuração para mexer nas contas da entidade.

No caminho contrário, em duas ocasiões Jucá indicou Gustavo Lopes para presidir a comissão eleitoral da CBLP, do levantamento de peso. Em 2021, em um processo eleitoral confuso, em que a oposição reclamou não ter acesso a informações, a chapa de oposição foi impugnada por não apresentar um documento. Lopes deu o voto de minerva que, na prática, reelegeu Enrique Montero como candidato único.

Proibido de concorrer em 2025, por força da Lei Piva, Montero seguiu mandando na confederação como diretor esportivo. Mas ele rompeu com o presidente Ranier Rezende, está licenciado e seria demitido quando retornasse ao trabalho. Antes que isso acontecesse, a denúncia anônima enviada ao STJD resultou, em poucas horas, em decisão da presidente Juliana Siqueira afastando o presidente, que só foi informado na segunda-feira (10) da decisão tomada na quinta (7). O afastamento nunca foi divulgado publicamente e está sendo revelado pelo Metrópoles agora.

Movimento coordenado de ex-presidentes

Denúncias de corrupção na CLBP e na CBTM não são novidade, mas ambas as comunidades reclamam há tempos que os órgãos internos de controle são ineficientes em investigar e punir os envolvidos. Exemplo recente é a denúncia de que, enquanto a confederação de tênis de mesa corta apoio a atletas paralímpicos alegando falta de recursos, seis dirigentes da cúpula da CBTM – entre eles Alaor – são premiados por isso. Eles receberam R$ 531 mil em bônus em 2024 como “incentivo para que contribuam para o desempenho global da CBTM, no que diz respeito às suas metas financeiras anuais”

Assim, chamou atenção de outros dirigentes ouvidos pela coluna que, tão logo os grupos que comandaram as confederações como feudos por décadas foram afastados do poder (muito por pressão do Ministério do Esporte), esses órgãos tenham agido rapidamente para punir os dissidentes e, na prática, devolver o poder aos antigos cartolas.

Ainda que os casos sejam parecidos (denúncias de irregularidades), em cada um a denúncia foi enviada a um órgão, exatamente aquele ainda controlado por indicados dos antigos dirigentes: o conselho de ética na CBTM e o STJD na CBLP. A abrangência das decisões também variou: na CBTM foram afastados o presidente Vilmar  Schindler, o vice André Silva e o secretário geral Sandro Adrão. Na CBLP, só o presidente Ranier Rezende, com a presidência sendo assumida pela vice, a ex-atleta Maria Elizabete Jorge, histórica aliada de Enrique Montero.

No tênis de mesa, a decisão foi revertida nesta quinta-feira, pelo presidente do STJD, que revogou todos os atos praticados pelo presidente do Conselho de Ética e cassou todos os eventuais poderes que o “administrador provisório” pudesse utilizar .

Em nota, a CBTM, que vem acumulando denúncias de corrupção desde a gestão Alaor, defendeu que “todos os fatos relacionados ao processo sejam devidamente apurados e esclarecidos, por meio de procedimentos regulares e juridicamente adequados às normas aplicáveis”. A CBLP até agora não se posicionou oficialmente sobre a troca de comando.

Procurado pela coluna, Gustavo Lopes disse que não pode dar detalhes do processo, que corre em sigilo, e alegou que escolheu Marcelo Jucá para o cargo pela experiência e renome profissional do colega. A coluna apurou, porém, que ele voltou atrás e reconheceu a validade da decisão do STJD que derrubou o afastamento da diretoria.

A coluna não conseguiu contato com Juliana Siqueira, advogada que afastou o presidente da CBLP.

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