Os aliados de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam com ceticismo a possibilidade de Michelle Bolsonaro (PL) aderir de forma mais explícita à campanha presidencial, apesar de reconhecerem a importância estratégica da reconciliação entre os dois. A avaliação é da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Bastidores CNN.
Segundo Clarissa Oliveira, a simples presença de Michelle em público ao lado do enteado já foi vista como um alívio pelo entorno de Flávio. “O que se sentiu é que foi muito na linha de que só ela estar lá já salva um pouco o barco”, relatou a analista.
Pesquisas de intenção de voto teriam indicado um movimento de retomada de Flávio Bolsonaro, puxado, ao menos em parte, por essa reconciliação com a madrasta.
Pedido de Jair Bolsonaro
De acordo com informações apuradas pela CNN, teria havido um pedido expresso de Jair Bolsonaro para que Michelle participasse de uma gravação, fizesse o gesto de reconciliação e aparecesse em público ao lado do enteado.
No entanto, a percepção no entorno de Flávio é de que Michelle tende a atuar muito mais em interesse próprio do que em benefício direto da campanha dele.
Demonstração de força política
A leitura predominante entre os aliados de Flávio é de que Michelle Bolsonaro não teria aceitado participar da reconciliação por pura benevolência. “Michelle Bolsonaro deu uma demonstração inequívoca de força política”, afirmou Clarissa Oliveira.
A avaliação é de que Michelle se sentiu desprezada nas articulações da corrida eleitoral e foi a público para mostrar que seu apoio e sua força política não são desprezíveis.
Ainda segundo a analista, a tendência é que Michelle se mantenha pelo menos um pouco próxima da campanha presidencial para preservar o capital político que construiu com o movimento de ruptura e posterior reconciliação com o enteado.
“Não há ali uma ilusão de que um vai morrer de amores pelo outro”, ponderou Clarissa Oliveira. A questão que permanece em aberto é até que ponto Michelle estará disposta a ajudar Flávio a conquistar um eleitorado considerado muito estratégico: as mulheres.

