O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado.
Apesar do corte, o comunicado divulgado pelo BC (Banco Central) não fechou completamente as portas para novas reduções, o que levou investidores a recalibrar suas expectativas para os próximos passos da política monetária.
O movimento, porém, teve efeitos diferentes sobre as taxas de juros. Enquanto os juros de curto prazo recuaram após a decisão, as taxas de longo prazo avançaram.
De acordo com Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, isso mostra uma preocupação do mercado com a capacidade da política monetária de controlar a inflação.
“O mercado começou a precificar que essa ação poderia acontecer e, como consequência disso, a taxa de juro de curto prazo do mercado caiu, mas a taxa de juro de longo prazo subiu 10 pontos-base no dia seguinte”, afirma Marilia.
A diferença entre os movimentos é importante porque as taxas de longo prazo influenciam o custo do crédito e as decisões de investimento e financiamento da economia.
Para a apresentadora, o problema não está na queda dos juros em si, mas na percepção de que uma redução neste momento pode não ser suficiente para conter a pressão inflacionária.
Parte dessa cautela também está relacionada ao cenário internacional. Enquanto o BC iniciou um movimento de redução da Selic, outras grandes economias seguem em uma trajetória diferente, com juros elevados ou ainda em processo de aperto monetário.
“Com Europa, Japão e EUA elevando ou mantendo os juros para conter a inflação global, o Banco Central brasileiro vai na contramão ao reduzir a Selic”, avalia Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
O que muda para o investidor?
Apesar do início do ciclo de cortes, a Selic permanece em um nível elevado. Por isso, a mudança não significa necessariamente que a renda fixa deixou de ser atrativa.
O cenário também abre espaço para ganhos com a chamada marcação a mercado, especialmente em títulos prefixados e títulos atrelados à inflação com vencimentos mais longos. Isso acontece quando o investidor vende um título antes do vencimento e consegue se beneficiar de uma eventual queda das taxas negociadas no mercado.
“Com a queda dos juros, o prefixado e o IPCA+ longo podem ter uma boa rentabilidade com a marcação a mercado. Mas existe um risco maior”, afirma Pascowitch.
No caso do Tesouro IPCA+, a remuneração combina a variação do IPCA com uma taxa prefixada. Mas, em ambos os casos, a venda antes do vencimento, entretanto, está sujeita às condições do mercado no momento da operação.
Embora o Copom tenha sinalizado que novas reduções não estão descartadas, Marilia lembra que em 2014, o Brasil já passou por momentos em que o Banco Central interrompeu um ciclo de alta e, posteriormente, retomou os aumentos.
Para ela, um ciclo prolongado de cortes dependeria de uma melhora mais consistente do quadro inflacionário e fiscal.
“Não acredito que teremos um longo ciclo de queda”, observa Fontes. Segundo ela, um movimento mais intenso, como o observado entre 2016 e 2019, dependeria de uma inflação convergindo para a meta, e de uma política fiscal mais restritiva.
Naquele período, as taxas dos títulos prefixados recuaram de níveis próximos de 14,5% para cerca de 9%, o que proporcionou ganhos expressivos com a marcação a mercado.
Diante desse cenário, Bernardo recomenda manter a liquidez para aproveitar eventuais oportunidades que possam surgir no mercado.
“É momento de ter caixa caso surjam grandes oportunidades. Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDB com liquidez diária são boas alternativas para surfar esse juro alto”, diz.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

