A aproximação das eleições de 2026 traz consigo um cenário político marcado por incertezas e polarização. Chris Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, afirmou, durante a quarta edição do WW Talks que aconteceu nesta terça-feira (11), que a disputa presidencial deste ano é mais difícil de cravar do que as anteriores, revelando um grau incomum de angústia em relação às previsões.
“Eu estou mais angustiado na nossa previsão nessa eleição do que nas últimas três eleições presidenciais com as quais nós acertamos”, declarou Garman, destacando a complexidade do cenário atual em comparação com ciclos eleitorais anteriores.
Partidos do Centrão diante de um cenário dividido
Garman explicou que partidos políticos, ao tomarem decisões sobre apoio em nível nacional, levam em conta as expectativas de vitória. Segundo ele, a prioridade dos partidos do Centrão — como PP e União Brasil — tem sido, nas últimas eleições, a formação de bancada. Para construir uma maioria no diretório nacional e viabilizar uma coligação presidencial, é necessário que haja uma composição regional claramente pendendo para um dos lados políticos.
O analista apontou que a queda nas expectativas em torno do diretório de Flávio, somada a ações policiais, tornou muito mais difícil para esses partidos dobrar a resistência de regiões do país que apoiam Lula. “Por ser uma eleição tão meio a meio, acho que afastou esses partidos da disputa nacional”, concluiu Garman, sinalizando que a divisão do eleitorado representa um obstáculo concreto para a formação de alianças amplas na corrida presidencial.
WW Talks
O WW Talks é uma série de episódios mensais promovida pela CNN Brasil em parceria com a Galapagos Capital e o Eurasia Group.
O programa visa aprofundar a leitura de movimentos que moldam Brasil e o mundo, trazendo diferentes perspectivas sobre o que tem baseado decisões políticas e econômicas por diferentes agentes nacionais e globais.
Em junho, William Waack, Thais Heredia, Caio Junqueira e o cientista político Silvio Cascione, diretor do Eurasia Group no Brasil, discutiram a defesa do Brasil junto ao comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva (assista).

