A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou, nesta segunda-feira (10), um pacote de mudanças nas regras do futebol brasileiro com o objetivo de reduzir a cera e aumentar o tempo de bola rolando nas partidas. As medidas foram discutidas em reunião com os clubes na sede da entidade, no Rio de Janeiro.
As novas regras passam a ser utilizadas já na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, com uma exceção: a possibilidade de revisão pelo VAR de escanteios concedidos por engano só entrará em vigor em 2027.
As mudanças serão aplicadas nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil masculina e no Brasileirão A1 feminino. Parte das medidas já foi testada em competições internacionais, enquanto outras são novidades que também começam a ser adotadas nesta temporada em algumas das principais ligas europeias.
A iniciativa da CBF busca aumentar o tempo efetivo de jogo. Segundo levantamento da Opta apresentado pela entidade, as partidas da Série A do Brasileirão registram, em média, 52 minutos e 54 segundos de bola rolando. O índice é inferior ao das cinco principais ligas europeias: Alemanha, França, Inglaterra, Espanha e Itália.
Goleiros terão oito segundos para repor a bola
A regra que limita a seis segundos a posse do goleiro já havia sido substituída pela orientação de oito segundos. A novidade está na punição.
O árbitro começará a contagem regressiva nos cinco segundos finais. Se o goleiro ultrapassar o limite, o adversário ganhará um escanteio, e não mais um tiro livre indireto no local da infração.
Laterais terão limite de cinco segundos; tiros de meta também
O mesmo princípio será aplicado aos arremessos laterais. Caso o árbitro identifique que um jogador está retardando a reposição ou que a equipe está trocando o cobrador para ganhar tempo, terá início uma contagem de cinco segundos.
Se o prazo for ultrapassado, o lateral será revertido para o adversário. Caso um jogador tente impedir a cobrança após a reversão, receberá cartão amarelo.
Nos tiros de meta, atrasos considerados injustificáveis também resultarão em contagem de cinco segundos. Se o limite for excedido, o adversário ganhará um escanteio. Uma tentativa de impedir a cobrança também será punida com cartão amarelo.
Substituído terá 10 segundos para deixar o campo
O jogador substituído deverá deixar o gramado pelo ponto mais próximo da linha lateral e terá até 10 segundos para fazê-lo.
Se ultrapassar o limite, o substituto só poderá entrar após um minuto.
Atendimento médico poderá tirar jogador por um minuto
Outra medida busca reduzir as paralisações provocadas por atendimentos médicos.
Quando um jogador cair ou permanecer deitado, o árbitro perguntará se ele precisa de atendimento dentro de campo. Caso a resposta seja positiva, o atleta será atendido, mas terá de permanecer fora do gramado por um minuto após o reinício.
A regra não será aplicada em situações como lesões graves evidentes, choques de cabeça, faltas que resultem em cartão, pênaltis em que o jogador lesionado seja o cobrador, choques entre dois atletas da mesma equipe ou colisões entre goleiro e jogador de linha que demandem atendimento.
‘Lei Vini Jr.’ prevê expulsão por gesto de cobrir a boca
Uma das principais novidades foi batizada de “Lei Vini Jr.” pela CBF.
O jogador que cobrir a boca durante uma discussão ou para provocar um adversário poderá ser expulso. A punição independe de o árbitro ter ouvido o que foi dito: o gesto, por si só, será considerado infração.
Segundo amarelo poderá ser revisado pelo VAR
O VAR também ganhará uma nova possibilidade de intervenção.
Um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão poderá ser revisado quando houver um erro claro. Se a arbitragem confirmar que a advertência foi equivocada, o cartão será cancelado e o jogador poderá permanecer em campo.
A revisão não será permitida para o primeiro cartão amarelo recebido pelo atleta.
Atendimento ao goleiro terá punição específica
Quando um goleiro precisar de atendimento médico, um jogador de linha será obrigado a permanecer fora do campo por um minuto após o reinício da partida.
A escolha do atleta caberá ao técnico. Na ausência dele, a decisão será do capitão.
A contagem será feita em tempo corrido a partir do reinício. O jogador poderá retornar com autorização do árbitro pela linha lateral, mesmo com a bola em jogo.
A medida ainda está em fase de testes pela International Football Association Board (IFAB) e também será utilizada nesta temporada na Premier League, da Inglaterra, e na La Liga, da Espanha.
Apenas capitães poderão falar com o árbitro
A CBF também criou uma regra específica para tentar diminuir os grupos de jogadores ao redor do árbitro durante as decisões.
Quando o árbitro cruzar os punhos acima da cabeça, apenas os capitães poderão se aproximar para conversar. Os demais jogadores deverão permanecer afastados.
Se o capitão for o goleiro, a equipe deverá indicar outro atleta para exercer essa função em campo. Quem desrespeitar a determinação receberá cartão amarelo.
VAR poderá corrigir escanteio concedido por engano em 2027
A última mudança terá aplicação apenas a partir de 2027.
O VAR poderá corrigir uma decisão de escanteio quando a bola sair pela linha de fundo após tocar por último em um jogador da equipe que estava atacando e, mesmo assim, o tiro de canto for marcado. Se o erro for claro e factual e a checagem não atrasar o reinício da partida, o escanteio poderá ser revertido para tiro de meta.
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