Mesmo com os subsídios pagos pelo governo federal, a Petrobras continua vendendo gasolina e óleo diesel com defasagem de preços, prejudicando o caixa da empresa, segundo cálculos do BTG Pactual em relatório distribuído a clientes nesta segunda-feira (10).
A diferença é de 19% no diesel e de 12% na gasolina, já considerando os recursos repassados pelo governo. Sem as subvenções, a distância seria de 39% e 25%, respectivamente. A comparação é feita com o chamado preço de paridade de importação, ou PPI, cálculo que define o valor de produtos no Brasil com base no custo de trazê-los de fora do país.
No caso do diesel, a Petrobras vende o combustível às distribuidoras por R$ 3,31 o litro. O governo paga à companhia mais R$ 1,12 por litro por meio da subvenção, fazendo com que a estatal receba, na prática, R$ 4,43.
O BTG calcula, porém, que o diesel importado chegaria ao mercado brasileiro por R$ 5,43 o litro. Portanto, mesmo com o subsídio, a Petrobras recebe cerca de 19% menos do que essa referência.
Na gasolina, a lógica é a mesma. A Petrobras cobra R$ 2,63 por litro das distribuidoras e recebe outros R$ 0,44 do governo, totalizando R$ 3,07. O valor ainda fica 12% abaixo dos R$ 3,50 por litro estimados para a gasolina importada.
Essa diferença de preços praticamente inviabiliza a concorrência do combustível importado. Segundo o BTG, as chamadas janelas de importação de diesel e gasolina permanecem fechadas, com compras externas restritas a determinadas regiões ou oportunidades pontuais.
Nos últimos dias, o diesel importado chegou a ser oferecido nos portos brasileiros por cerca de R$ 1,80 a R$ 1,90 por litro acima do preço cobrado pela Petrobras.
Apesar disso, o banco calcula que as margens de refino da Petrobras continuam positivas e avalia que há espaço para a companhia aumentar os preços dos combustíveis ou para o governo ampliar as subvenções.
*Sob supervisão de Daniel Rittner
