A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou operações experimentais de conexão direta entre celulares e satélites, tecnologia conhecida como direct-to-cell. A novidade pode permitir o acesso à internet em regiões sem cobertura de torres de transmissão, representando uma mudança significativa na forma como os dispositivos móveis se conectam à rede.
Atualmente, a internet que chega aos celulares depende de uma infraestrutura terrestre composta por torres de transmissão. Conforme explicou Adriano Ponte, do Canaltech, o funcionamento é baseado em células de sinal: “O celular funciona de célula em célula, de antena em antena, todas ligadas ao mesmo tempo, até que em algum momento ele identifica qual antena está mais perto e com o sinal melhor, trocando sozinho entre elas.”
Por isso, em locais sem cobertura — como subsolos ou áreas remotas —, a conexão simplesmente deixa de funcionar.
Como funciona o direct-to-cell
Ao contrário do que muitos imaginam, a tecnologia direct-to-cell não consiste em um satélite geoestacionário de alta órbita se conectando diretamente ao celular, nem em um satélite retransmitindo o sinal para uma torre convencional.
O que ocorre é diferente: satélites de baixa órbita — que operam a cerca de 500 quilômetros de altitude — simulam torres de transmissão diretamente no espaço, comunicando-se com o aparelho celular sem necessidade de equipamento especializado.
“Os satélites de baixa órbita conseguem se comunicar diretamente com o celular, simulando torres de transmissão”, explicou Adriano Ponte.
Esses satélites se movem em alta velocidade para manter sua trajetória, o que impõe limitações técnicas. “Quando a gente fala de Starlink, são muitos satélites rodando em alta velocidade. Eles transmitem poucos dados pela dificuldade e simulam a torre”, detalhou Adriano Ponte.
A grande diferença em relação aos satélites geoestacionários — que ficam a aproximadamente 36 mil quilômetros de altura e acompanham a rotação da Terra — é justamente o tempo de resposta: quanto mais distante o satélite, maior a latência da conexão.
Impacto no Brasil ainda é limitado
Apesar da aprovação regulatória da Anatel, a implementação prática da tecnologia no país ainda está nos estágios iniciais.
Segundo Adriano Ponte, a expectativa é que essas redes comecem a operar no Brasil até o final do ano, mas de forma auxiliar, transmitindo poucos dados. “É só um ok regulatório de que pode servir como rede auxiliar”, resumiu.
Na prática, isso significa que, por enquanto, nada muda para o usuário comum: o direct-to-cell funcionará como um suporte em situações de emergência ou em áreas sem sinal convencional, e não como substituto das redes móveis tradicionais.
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