O homem em situação de rua preso por agredir um zelador a pauladas na madrugada da última sexta-feira (7/8), na Asa Norte (DF), já ameaçou e agrediu os próprios pais. A mãe de Alexandre da Trindade Leite, 44 anos, solicitou uma medida protetiva contra ele, por Maria da Penha. Ele foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no sábado (8/8).
Segundo o processo judicial o qual o Metrópoles teve acesso, com base em depoimentos dos pais e da irmã do agressor, Alexandre é usuário de drogas e constantemente visitava a casa das dos pais para pedir dinheiro a fim de sustentar o vício.
Diante das negativas, o autor passava a ameaçar e agredir os genitores, principalmente a mãe, chegando a empurrá-la brutalmente em um dos episódios: “Se não der o dinheiro eu vou matar” e “Vagabundos, filhos da puta” foram algumas das ofensas proferidas por ele ao casal.
A mãe ainda relatou aos policiais que frequentemente se refugiava na casa da filha, com medo de Alexandre. A Justiça concedeu medida protetiva para ela, além de encaminhar o agressor para centros de recuperação e atendimento psicossocial.
Agressão a zelador
Um vídeo obtido pelo Metrópoles mostra o agressor (de camisa camuflada) se aproximando do prédio. Ele aponta para dentro do imóvel, e após uma discussão faz um gesto ameaçando um soco. Em seguida, o zelador busca repelir o morador de rua. Ele leva a mão à cintura e faz um gesto para afastar o homem. Assista:
Horas depois, por volta das 3h30, o homem de camisa camuflada voltou ao prédio, localizado no Bloco A da área comercial da 314 Norte, com um pedaço de madeira e espancou o zelador.
Segundo o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), o homem foi submetido a uma cirurgia na cabeça no final da manhã de sexta-feira.
Entenda o caso:
- O zelador de um prédio na Asa Norte foi agredido a pauladas, na madrugada desta sexta-feira (7/8), por um homem em situação de rua;
- O crime foi aconteceu no Bloco A, da área comercial da 314 Norte;
- O autor das agressões, um homem com uma camisa camuflada, fugiu após agredir o zelador;
- O segurança responsável pela vigilância da quadra tentou perseguir o autor mesmo após ter sido agredido, mas não conseguiu alcançá-lo;
- A polícia tenta identificar e localizar o suspeito das agressões;
- A vítima, identificada como Vanderlei Souza Lima, está em estado grave e intubada no Hospital de Base, com contusões na cabeça e diagnóstico de traumatismo craniano;
- O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), onde a ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio.
Insegurança na região
Moradores e comerciantes da região relatam medo e sensação de insegurança com o aumento dos casos de violência na região.
Uma mulher que trabalha na comercial e que não quis se identificar disse que o zelador já havia sido vítima de agressão de moradores de rua anteriormente. “Uma vez ele precisou correr para dentro do prédio porque um homem em situação de rua tentou jogar pedras nele. Os moradores de rua aqui da região não vão muito com a cara dele”, relatou.
Moradora da região, Maria Luiza Neves, de 23 anos, conta que passou a redobrar os cuidados ao circular pelas ruas. Segundo ela, a situação mudou principalmente nos últimos anos.
“Do ano passado para cá, aumentou muito a população de pessoas em situação de rua aqui na região. A nossa sensação de insegurança aumentou bastante. Além desse caso que aconteceu na madrugada, a gente também ouve outros relatos”, afirmou.
Síndico de um prédio da 314 Norte e morador da Asa Norte desde 2004, Reder Glauber Weyers, de 60 anos, afirma que percebeu um aumento significativo no número de pessoas em situação de rua desde 2020.
Segundo o morador, episódios de violência se tornaram comuns nas proximidades. “Sou síndico aqui do bloco e já teve casos de pessoas esfaqueadas de madrugada no bloco. A gente vê muito”, contou.
O síndico afirma que a sensação de insegurança faz com que os moradores mudem hábitos simples do dia a dia. Ele diz que, depois das 19h, evita sair a pé, mesmo quando precisa ir a locais próximos de casa. “Eu moro a 500 metros do supermercado e só vou de carro. Não existe mais tranquilidade”, afirmou.

