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Análise: Arábia Saudita busca apoio de potências muçulmanas contra o Irã

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Arábia Saudita busca apoio de potências muçulmanas contra o Irã

A Arábia Saudita trouxe duas das mais formidáveis potências militares do mundo muçulmano para sua defesa enquanto a guerra com o Irã se aproxima do reino.

Paquistão e Turquia assinaram, na sexta-feira, em Meca, um pacto de defesa mútua nos moldes da Otan com a Arábia Saudita, consolidando seus antigos laços de segurança em uma aliança de defesa coletiva que estabelece que um ataque contra qualquer um dos países “será considerado um ataque contra todos”.

Esse compromisso pode envolver Paquistão e Turquia em uma guerra da qual os dois países mantiveram cuidadosamente distância.

A justificativa oficial para o acordo é “fortalecer a dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão” e promover “o fortalecimento de todos os aspectos da cooperação em defesa entre os três Estados”, segundo um comunicado divulgado pelos três países.

Mais especificamente, o pacto dá à Arábia Saudita uma nova e poderosa camada de proteção, além de sua tradicional parceria de segurança com os Estados Unidos, em meio às crescentes dúvidas na região sobre se Washington ainda pode ser considerado um aliado confiável para proteger seus parceiros do Golfo, ricos em petróleo.

A Turquia possui a segunda maior força militar da Otan, atrás apenas dos Estados Unidos, enquanto o Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares.

Aliados tão poderosos reforçam a capacidade de dissuasão da Arábia Saudita e apresentam uma frente militar unificada, liderada por países sunitas, diante da crescente ameaça iraniana. No entanto, um funcionário turco disse à CNN que o acordo não é direcionado contra nenhum país específico, enquanto o Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que o pacto “não representa uma tentativa de estabelecer um eixo militar ou um bloco sectário”.

Outros países da região também poderão aderir, acrescentou o funcionário turco, abrindo a possibilidade de que a aliança atraia novos membros, de maneira semelhante à Otan.

O comunicado não especificou os compromissos assumidos por cada país, e ainda não está claro até que ponto o acordo obrigaria os três países a realizar alguma ação militar específica em defesa uns dos outros.

O pacto também ocorre em um momento em que Israel amplia sua presença militar na região e as relações de Riad com os vizinhos dos Emirados Árabes Unidos se deterioram.

Paquistão e Turquia compartilham, cada um, uma fronteira com o Irã e têm fortes motivos para evitar que o conflito saia de controle. O Paquistão precisa administrar sua expressiva população xiita e sua delicada relação com Teerã, enquanto Turquia e Irã compartilham preocupações em relação ao separatismo curdo, apesar de competirem em outras frentes na região.

Durante a guerra, Teerã atacou repetidamente alvos na Arábia Saudita, incluindo infraestrutura civil, instalações de energia e interesses dos Estados Unidos. Os ataques diretos do Irã contra a Arábia Saudita diminuíram em grande parte após o cessar-fogo de 8 de abril, mas grupos apoiados pelo Irã no Iêmen e no Iraque continuaram atacando o reino.

Riad tem sido um dos mais fortes opositores da guerra e trabalhou para conter o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tentativa de evitar uma escalada contra a República Islâmica. No entanto, os ataques que a Arábia Saudita continua sofrendo em várias frentes deixaram autoridades cada vez mais alarmadas e frustradas.

Um funcionário saudita disse à CNN na quinta-feira (6) que o reino estava se preparando para uma grande ofensiva coordenada de milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e no Iêmen, com o apoio da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

A CNN também informou que Teerã alertou os países do Golfo de que novos ataques dos Estados Unidos provocariam retaliações contra instalações de energia ou de dessalinização de água em toda a região.

O tratado assinado na sexta-feira (7), em Meca, portanto, serve como um alerta a Teerã: um novo grande ataque contra a Arábia Saudita poderia acionar o pacto, envolver Paquistão e Turquia no conflito e ampliar dramaticamente a guerra.

A reação vinda de Teerã indicou insatisfação com o acordo. Um alto funcionário iraniano afirmou que o pacto não garantirá a segurança da Arábia Saudita.

“Os sauditas deveriam entender que um acordo no papel com a Turquia e o Paquistão não lhes trará segurança, assim como décadas de dependência unilateral dos americanos não conseguiram fazê-lo”, afirmou Ebrahim Rezaei, membro do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, em uma publicação no X.

O acordo consolida os laços militares cada vez mais estreitos entre os três países. Arábia Saudita e Paquistão assinaram um pacto formal de defesa mútua em setembro do ano passado, antes mesmo de o Irã começar a atacar diretamente alvos sauditas.

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