A Superliga Europeia esteve muito próxima de se tornar uma competição da Fifa. A entidade máxima do futebol, presidida por Gianni Infantino, participou de negociações avançadas com os idealizadores do torneio para uma parceria.
Segundo o jornal inglês The Guardian, houve um acordo preliminar entre as partes, que incluía a mudança de nome da competição para Superliga da Fifa.




Gianni Infantino, presidente da Fifa
Catherine Ivill - AMA/Getty ImagesGianni Infantino, presidente da Fifa
Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty ImagesAlém disso, a entidade assumiria a organização em um acordo inicial de 12 anos e havia uma proposta de criação de uma joint venture para gerir os direitos comerciais e explorar economicamente a competição, semelhante ao que foi proposto em relação ao projeto da Fifa Forward Enterprise (FFE).
O posicionamento da Fifa mudou após as críticas de clubes, ligas, atletas e torcedores ao modelo adotado para a Superliga Europeia. Infantino chegou a dizer que “desaprovava veementemente” a criação do torneio.
O documento da proposta previa também a disputa de um Mundial de Clubes anual e menos espaço para as seleções no calendário. Por outro lado, a Fifa garantiria poder de veto sobre a Superliga Europeia no formato da competição, distribuição de receitas e mudanças estruturais.
O que era a Superliga Europeia
Projeto liderado por Florentino Pérez, a Superliga Europeia tinha como objetivo criar uma competição de clubes com as principais equipes da Europa, sem participação da Uefa e em contraponto à Champions League.
Anunciada em 2021, a Superliga contava com as participações de Real Madrid, Barcelona, Juventus, Milan, Inter de Milão, Manchester United, Manchester City, Chelsea, Liverpool, Atlético de Madrid, Arsenal e Tottenham.
A competição seria anual e fechada entre os clubes participantes. A única possibilidade de acesso de uma nova equipe seria a aprovação dos demais membros. O modelo é semelhante ao adotado pelas ligas americanas.
O objetivo da Superliga era o aumento de receitas e maior visibilidade por meio de confrontos entre as equipes mais tradicionais do continente europeu.
Após críticas de clubes, ligas, atletas e torcedores ao modelo, o projeto foi se enfraquecendo com o tempo e as saídas da maioria dos clubes. Apenas Barcelona e Real Madrid se mantiveram fiéis, até abandonarem de vez a ideia no início de 2026.
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Infantino sob pressão
Os últimos dias têm sido de forte pressão sobre Gianni Infantino. Após federações europeias retirarem o apoio à reeleição do suíço ao cargo de presidente da Fifa, integrantes da Concacaf também ameaçaram abandonar o dirigente.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, uma reunião emergencial foi realizada pela Concacaf para discutir o tema e diversas federações teriam manifestado a intenção de retirar o apoio ao presidente da Fifa.
A insatisfação das federações nacionais acontece após Infantino dar como encerrado o projeto de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria responsável pelos direitos comerciais de competições. O objetivo era que 20% desta empresa fosse vendida a investidores externos. O projeto mirava uma arrecadação recorde de até US$ 4,2 bilhões (R$ 22,8 bilhões).
Além da ameaça de países membros da Concacaf, a Federação Inglesa de Futebol (FA) e a Associação de Futebol do País de Gales (FAW) retiraram o apoio ao dirigente.
A forte resistência de federações nacionais e confederações continentais ao projeto de Infantino provocou uma crise política sem precedentes na entidade desde que o dirigente suíço assumiu o cargo em 2016.

