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Restrições dos EUA não freiam avanço de IAs chinesas no mercado americano

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Restrições dos EUA não freiam avanço de IAs chinesas no mercado americano

O uso de modelos de IA (Inteligência Artificial) desenvolvidos na China continua crescendo entre empresas dos Estados Unidos, mesmo após as restrições impostas por Washington para tentar conter o avanço da tecnologia chinesa. O aumento da adoção desses sistemas sugere que, até o momento, as medidas do governo americano não têm sido suficientes para frear a expansão das IAs chinesas no mercado.

Desde 2022, os Estados Unidos vêm endurecendo as restrições contra o setor de IA da China. Entre as medidas adotadas estão a limitação da venda de chips avançados e de equipamentos para sua fabricação, restrições a investimentos americanos em empresas chinesas de inteligência artificial e a proibição do uso do DeepSeek em dispositivos de órgãos federais. Projetos em discussão no Congresso ainda podem ampliar essas restrições para outras áreas do serviço público.

Mesmo assim, dados da plataforma OpenRouter mostram que, desde o início deste ano, mais de 30% dos tokens processados semanalmente por empresas americanas são de modelos desenvolvidos na China, chegando a atingir picos de 46%, um salto em relação aos 11% registrados nos 12 meses anteriores e aos 4,5% do primeiro semestre de 2025.

A OpenRouter é uma plataforma que reúne centenas de modelos de IA de empresas como OpenAI, Anthropic, Google, Alibaba, DeepSeek e Moonshot, permitindo que desenvolvedores acessem diferentes tecnologias em um único ambiente. Já os tokens são as unidades em que os sistemas dividem textos para processar informações.

O avanço dos modelos chineses é impulsionado principalmente pela combinação entre baixo custo, bom desempenho e código aberto. Ferramentas como DeepSeek, Qwen (Alibaba), GLM (Z.ai) e Kimi (Moonshot) apresentam desempenho próximo ao dos principais modelos americanos. Além disso, muitos deles permitem que seus parâmetros sejam baixados e modificados, oferecendo mais flexibilidade para empresas e desenvolvedores.

Especialistas destacam que utilizar um modelo de IA desenvolvido na China não significa, necessariamente, enviar dados para servidores chineses. Como muitos desses modelos são de código aberto, as empresas podem executá-los em seus próprios servidores ou contratar provedores de nuvem nos Estados Unidos, mantendo as informações dentro do país.

O preço também é um dos fatores que favorecem a adoção dessas ferramentas. A Moonshot cobra cerca de US$ 3 por milhão de tokens de entrada e US$ 15 por milhão de tokens de saída. Já o GPT-5.6 Sol custa aproximadamente US$ 5 e US$ 30, respectivamente, enquanto o Claude Fable 5 chega a US$ 10 e US$ 50.

Um relatório publicado pelo Congresso dos Estados Unidos em março cita uma estimativa de um investidor da empresa Andreessen Horowitz segundo a qual cerca de 80% dos desenvolvedores americanos que trabalham com modelos de código aberto já utilizam tecnologias chinesas.

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