O senador Weverton Rocha (PDT-MA) declarou, nesta quarta-feira (5/8), R$ 2,3 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, cerca de R$ 1,7 milhão do montante é oriundo de quotas de empresas citadas pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, que apura fraudes nos descontos associativos do INSS.
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A corporação suspeita que postos de combustíveis foram usados para movimentar recursos em uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro que teria Rocha como beneficiário. No TSE, o senador declarou possuir R$ 74 mil em quotas da empresa Petro São Francisco Combustíveis. O posto de combustível é citado seis vezes durante a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação da PF.







Senador Weverton (PDT-MA)
Divulgação/Luis Macedo/Câmara dos DeputadosSenador Weverton Rocha (PDT-MA) é apontado como beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.fotoAldroaldo Portal, Weverton Rocha, advogado Éric Fidelis
MetrópolesSenador Weverton (PDT-MA)
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.fotoSenador Weverton Rocha (PDT-MA) admite ter feito indicações políticas no INSS
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.fotoDe acordo com o documento, os postos de combustíveis Petro São Francisco e Petro São José funcionavam como um dos eixos centrais no esquema de ocultação e dissimulação patrimonial investigado. Administrados operacionalmente por Anna Catarina Viana Rocha sob orientação do senador , os postos tinham suas contas bancárias utilizadas para transitar valores milionários de origem suspeita.
As contas recebiam depósitos recorrentes em dinheiro vivo e repasses de empresas como a Qualitech Engenharia, que chegou a transferir R$ 5 milhões em um único dia. Esse dinheiro recebido era imediatamente destinado para a aquisição de propriedades rurais, terrenos e maquinários agrícolas, além de repasses para sociedades como a Rocha Holding e a DJ Agropecuária.
Rocha Holding
Weverton também declarou ter R$ 1,6 milhão em quotas da empresa Rocha Holding Patrimonial Ltda, que é citada dez vezes por Mendonça.
A Rocha Holding é apontada pela PF como um instrumento direto destinado a movimentar valores de interesse de Rocha. A esposa do parlamentar, Samya Lorene Rocha, surge vinculada à empresa como destinatária dos repasses e participante de tratativas sobre reformas e imóveis do casal.
Entenda a operação da PF
- A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), investiga o esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
- A nova fase foi deflagrada a partir de elementos extraídos do celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
- A PF aponta que o senador atuaria como o orientador e beneficiário final de uma rede não linear de lavagem de dinheiro, operada por meio de empresas, postos de combustíveis, contas de parentes e repasses em espécie.
- O advogado e empresário Willer Tomaz é investigado por supostamente ter colocado à disposição do parlamentar um “hub financeiro, patrimonial e logístico”, com empresas, aviões privados e operadores financeiros e interlocutores políticos à disposição do senador.
- A investigação mapeou que a compra de uma casa de R$ 6 milhões do senador Weverton Rocha no Lago Sul, em Brasília, teria sido paga pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Willer Tomaz.
- Outro eixo do suposto esquema de lavagem envolve postos de combustíveis que, segundo a PF, foram utilizados para pagar terrenos, maquinários agrícola e adquirir propriedades rurais.
Além dos R$ 2 milhões recebidos da Petro São Francisco, a conta pessoal de Samya recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas controladas pelo advogado Willer Tomaz no período examinado.
Sem Desconto
A nova fase da Operação Sem Desconto mira Willer e outras oito pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria como beneficiário o senador Weverton Rocha. Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
A corporação sustenta que Weverton atuaria como o “responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.

