O ensino médio brasileiro ficou longe da meta estabelecida pelo MEC (Ministério da Educação) para 2025. O dado faz parte do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), levantamento divulgado nesta quarta-feira (5) pela pasta e que é o principal indicador de qualidade da educação no Brasil.
A meta do índice para o ciclo final da educação básica era de 5,2. No entanto, o resultado ficou em 4,5, crescimento de apenas 0,2 pontos entre a última edição, feita em 2023 (4,3).
A pontuação é composta pelo desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e pelas taxas de aprovação apuradas do Censo Escolar, e varia de 0 a 10.

O gerente de estratégia, avaliação e finanças do Ensina Brasil, Vinicius de Oliveira, diz que o ensino médio é o principal desafio da educação brasileira, mesmo alcançando o melhor resultado histórico. Oliveira afirma que a etapa reflete desafios como desigualdades socioeconômicas, evasão escolar e dificuldade de engajamento dos estudantes nesta etapa.
“Políticas contínuas, articuladas e baseadas em evidências podem contribuir para melhorar os resultados educacionais. O ensino médio acaba funcionando como um termômetro de toda a educação básica. Os desafios que aparecem nessa etapa não começam nela: refletem defasagens de aprendizagem que se acumulam ao longo da trajetória escolar”, explica ele.
“Esse dado mostra que estamos avançando, mas ainda em um ritmo insuficiente para garantir que todos os jovens concluam essa etapa com as aprendizagens esperadas.”
Já Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, organização sem fins lucrativos voltada à melhoria da educação pública no Brasil, entende que os indicadores do ensino médio só irão melhorar quando o país conseguir garantir a formação dos alunos na etapa final do ciclo básico.
Henriques diz que o avanço no último ciclo do ensino ocorre em ritmo mais lento do que no ensino fundamental, puxada pelos mesmo desafios indicados por Oliveira: o de atrair e manter os alunos na etapa.
Para ele, os próximos 20 anos da educação brasileira serão menos sobre colocar jovem na escola e mais sobre garantir que os alunos aprendam, se desenvolvam e se preparem as mudanças do mundo.
“O próximo passo da educação brasileira não é escolher entre aprovação e aprendizagem, é garantir as duas coisas juntas: garantir a aprendizagem adequada, significativa e em níveis bem maiores do que geramos até aqui, mas ainda estamos muito distantes disso”, afirma.
“Permanência sem aprendizagem não basta e aprendizagem sem permanência também não.O desafio é construir uma agenda pedagógica nas escolas capaz de assegurar permanência e aprendizagem significativa.”
Conhecer o próprio estilo de aprendizagem pode turbinar os estudos

