A abertura do SIAVS (Salão Internacional de Proteína Animal), nesta terça-feira (4), foi marcada por um discurso do presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, que defendeu medidas para fortalecer a competitividade do setor diante dos desafios logísticos, tributários e do comércio internacional.
Ao destacar a importância da cadeia de proteínas animais para a economia brasileira, Santin lembrou que o setor responde por mais de 10 milhões de empregos diretos e indiretos e movimentou mais de US$ 33 bilhões em exportações em 2023.
Segundo ele, o Brasil ocupa posição de liderança mundial na produção e exportação de proteínas e desempenha papel estratégico para a segurança alimentar global.
Durante o discurso, o presidente da ABPA afirmou que o setor enfrentou nos últimos anos uma série de desafios, como a pandemia, emergências sanitárias, aumento dos custos logísticos e a alta dos principais insumos da produção.
“Fomos impactados por custos de produção que subiram mais do que qualquer planejamento prévio: nos grãos, na energia, na embalagem, no combustível e na logística”, afirmou.
Apesar desse cenário, Santin destacou que a resposta brasileira foi baseada em ciência, gestão, transparência e eficiência, fatores que permitiram manter o abastecimento interno e preservar a confiança dos mercados internacionais.
Investimentos necessários
Entre as prioridades apontadas para ampliar a competitividade, o dirigente defendeu investimentos em infraestrutura logística, com melhorias nos portos, expansão das ferrovias e a implantação da Rota Bioceânica para reduzir custos de transporte e facilitar o acesso aos mercados asiáticos.
Outro tema central do pronunciamento foi a reforma tributária. Santin afirmou que a implementação das novas regras precisa garantir tratamento isonômico para toda a cadeia da proteína animal.
“Precisamos que a reforma tributária seja implementada de forma isonômica para a cadeia de proteína animal, sem colocar custos que inviabilizem a operação. Não precisamos de mais tributos; precisamos de competitividade”, declarou.
O presidente da ABPA também defendeu políticas de incentivo à modernização das granjas e indústrias, ampliação das linhas de financiamento e fortalecimento da inspeção sanitária, com mais tecnologia e maior número de auditores fiscais agropecuários.
No cenário internacional, Santin destacou que o Brasil precisará enfrentar importantes desafios comerciais. Entre eles, citou a necessidade de revisão da cota de importação de carne bovina pela China, que, segundo ele, permanece abaixo da capacidade produtiva brasileira e deve ser discutida por meio do diálogo diplomático.
Ele também chamou atenção para o acordo entre Mercosul e União Europeia, defendendo que as cotas destinadas às proteínas brasileiras resultem em acesso efetivo aos mercados, sem barreiras técnicas que prejudiquem a competitividade do setor.
Ao encerrar a abertura do SIAVS, Santin reforçou que o Brasil consolidou sua posição como parceiro estratégico da segurança alimentar mundial graças ao trabalho conjunto de produtores, cooperativas, pesquisadores, empresas e órgãos públicos.
Segundo ele, manter essa liderança exigirá planejamento, previsibilidade e políticas públicas de longo prazo voltadas ao fortalecimento da produção de alimentos.

