O cirurgião plástico Leandro Fuchs se tornou réu por crimes cometidos contra sete pacientes no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, após a Justiça do Rio Grande do Sul aceitar, neste domingo (2), a denúncia apresentada pelo MPRS (Ministério Público do Rio Grande do Sul).
Leandro e outros 12 médicos, entre residentes e ex-residentes, tinham sido indiciados pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul em dezembro de 2024, depois do registro de ocorrência de 87 vítimas — 84 mulheres e três homens — por erros nas cirurgias.
A denúncia foi apresentada em 6 de julho pelo promotor de Justiça André Baptista Caruso Mac Donald e recebida pela Justiça em 2 de agosto, pela 11ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre.
Com a decisão, o médico passa a responder formalmente por quatro crimes:
- Estelionato (por cobrar dinheiro indevidamente dos pacientes);
- Concussão (por obtenção de vantagem indevida na condição de funcionário público);
- Falsidade ideológica (por inserção d einformações falsas em documentos);
- Injúria racial, cometida contra uma das sete vítimas.
A ação penal reúne sete inquéritos policiais relacionados a fatos apurados durante investigação sobre a atuação profissional do médico no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, incluindo agravante de abuso de poder e continuidade dos crimes.
De acordo com o MPRS, as vítimas estão sendo acompanhadas pela Central de Atendimento às Vítimas e Familiares de Vítimas de Crimes e Atos Infracionais, em Porto Alegre.
Além dos setes casos pelos quais o cirurgião responde, pelo menos outros 30 inquéritos contra ele já foram distribuídos e estão em análise pelo MPRS.
Entenda denúncias
Entre os anos de 2018 e 2023, um número expressivo de pessoas teria procurado a Polícia Civil denunciando situações que poderiam configurar práticas criminosas no exercício da medicina.
De 727 cirurgias, 481 precisaram de novas intervenções, o que representa mais de 66% de correções e complicações nos procedimentos feitos pelo médico.
Dentre essas denúncias, estão casos de pacientes que sofreram mutilações, necroses e infecções graves. Cerca de 140 pessoas foram ouvidas na investigação.
Depois do resultado indesejado, muitas vítimas tentaram retornar aos grupos de redes sociais nos quais conheceram o trabalho do investigado para criticá-lo e alertar novos pacientes. Todos os comentários negativos eram deletados dos grupos e os usuários eram bloqueados.
Para as vítimas, também havia desleixo no tratamento pós-operatório por parte do médico contratado.
Além disso, de acordo com a polícia, o médico agia com presunção perante os pacientes, orientando que eles não denunciassem os maus resultados, já que o cirurgião tinha “muitos contatos” e as vítimas não obteriam sucesso.
O que diz a defesa
Segundo a defesa do médico, representada por Nereu Giacomolli e Caroline Mrack Giacomolli, a inocência dele será provada ao longo do processo, assim como acusações de lesão corporal que já foram afastadas pelo MPRS anteriormente.
“A defesa do Dr. Leandro Fuchs informa que as investigações e a ação penal tramitam sob sigilo de justiça e, por esse motivo, não se manifestará sobre o mérito das acusações.
A inocência do Dr. Leandro Fuchs será demonstrada ao longo da instrução processual, assim como ocorreu em relação às acusações de lesões corporais, afastadas pelo Ministério Público diante dos resultados negativos dos laudos periciais.
O Dr. Leandro Fuchs exerce a medicina há mais de 30 anos e atua como cirurgião plástico há mais de 20 anos, sempre pautando sua conduta pelo Código de Ética Médica e pela legislação vigente.
A defesa confia na Justiça e prestará os esclarecimentos pertinentes exclusivamente nos autos do processo.”
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*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

