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Para além do romance: novo livro aborda saúde mental de atletas LGBT+

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Para além do romance: novo livro aborda saúde mental de atletas LGBT+

Um jovem que se prepara para estrear no US Open, um dos maiores campeonatos de tênis do mundo, enquanto chama atenção da imprensa por ser considerado o primeiro homem gay na modalidade. Seu caminho esbarra em Diego Cruz, o segundo melhor tenista do ranking e seu crush platônico.

Esse é o pano de fundo do livro “Abrindo o Jogo“, que chega às prateleiras brasileiras pela editora Intrínseca nesta segunda-feira (3). Porém, a obra de estreia escrita por Edward Schmit está longe de ser apenas um sport romance LGBTQIAP+ ao tratar da importância da saúde mental em esportes de alto rendimento.

O enredo gira em torno de Austin Hardy, um jovem que está com a carreira profissional no tênis despontando. Assumidamente gay desde a adolescência, ele passa a ganhar as manchetes mais pela sua sexualidade do que pelo seu inegável talento no tênis.

Embora se torne o rosto da representatividade no esporte, Austin passa a ser bombardeado de comentários maldosos e preconceituosos em suas redes sociais, o que se torna motivo o suficiente para que sua ansiedade se aflore e ele passe a ter crises durante treinos e jogos.

“Muitos atletas têm falado abertamente nos últimos anos sobre sua saúde mental e as dificuldades que enfrentam. Quando atletas, que são pessoas em quem nos espelhamos, fazem isso, fica mais fácil para outras pessoas também se abrirem e buscarem ajuda, caso precisem”, afirma Edward Schmit em entrevista à CNN Brasil.

Recentemente, atletas como Simone Biles, Gabriel Medina, Richarlison e Rebeca Andrade falaram abertamente sobre questões relacionadas à saúde mental e à pressão sofrida durante grandes campeonatos. Mas, além de casos reais de atletas, Schmit se inspirou em sua própria experiência com ansiedade para escrever o livro.

“Coloquei muito de mim no personagem principal, o Austin. Ele sofre de ansiedade e apresenta sintomas muito parecidos com os meus”, conta Schmit. “Pude transmitir um pouco disso a ele e explorar meus próprios pensamentos sobre a jornada de recuperação da saúde mental e a busca por ajuda”, completa.

Representatividade LGBTQIAP+ no esporte

Uma das pessoas que mais ajuda Austin a superar e a lidar com sua ansiedade é, justamente, um dos seus rivais no US Open. Diego Cruz é o segundo melhor tenista do ranking e socorre Austin durante uma crise de ansiedade que o faz desmaiar no treino.

É a partir desse episódio que uma amizade floresce e ambos se ajudam a seguir na competição, enquanto um sentimento maior surge logo às vésperas de um duelo decisivo entre os dois.

“Acho que, nos últimos anos, vimos atletas de grandes modalidades esportivas assumirem sua sexualidade, algo que não vimos na mesma medida no tênis, especialmente entre os 100 melhores jogadores ou no circuito de Grand Slam. No entanto, quando atletas fazem isso, principalmente os homens, eles inspiram outros homens a se sentirem mais confiantes para também se assumirem ou mais seguros em relação à própria sexualidade”, pontua Schmit.

Embora no livro Austin seja o primeiro tenista com sua sexualidade assumida, no Brasil, o pernambucano João Lucas Reis da Silva fez história recentemente ao se tornar o primeiro tenista assumidamente gay a vencer uma partida em um Grand Slam, durante o qualifying de Roland Garros. Atualmente, ele ocupa o 258º lugar no ranking mundial.

“Eu realmente queria ser fiel à personalidade do Austin; ele é um personagem bastante complexo e cheio de falhas, pois, embora seja seguro quanto à sua sexualidade, a situação muda drasticamente quando ele se classifica para o US Open. É aí que os holofotes se voltam para ele”, detalha Schmit.

Quando todas as perguntas nas entrevistas midiáticas se tornam sobre a sua sexualidade, Austin se vê incomodado, pois deseja que o foco esteja no seu talento. Diego também exerce um papel importante na forma como o jovem enxerga essa realidade e o peso da sua representatividade no esporte.

“Abrindo o Jogo”, de Edward Schmit

  • Tradução: Guilherme Miranda
  • Páginas: 352
  • Editora: Intrínseca
  • Livro impresso: R$ 74,90
  • E-book: R$ 49,90

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