O milho encerrou o pregão desta segunda-feira (03) em alta na Bolsa de Chicago, com o contrato com vencimento em dezembro avançou 1,83%, cotado a US$ 4,72 por bushel, após recuperar as perdas registradas no início da sessão.
Segundo análise da Royal Rural, o movimento foi impulsionado principalmente pela atuação dos fundos de investimento. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) mostram que os investidores ampliaram de forma significativa suas posições compradas em milho na semana passada, indicando uma mudança de postura, de cautela para maior otimismo em relação aos preços.
Embora o relatório da CFTC reflita as posições até a terça-feira anterior e não retrate as operações em tempo real, ele indica que os fundos iniciaram a semana com uma posição relevante de compra. Com a queda das cotações durante a manhã, esses investidores podem ter aproveitado os preços mais baixos para recomprar contratos, aumentando a pressão compradora.
A recuperação também foi favorecida por fatores técnicos. O contrato de dezembro chegou a cair para cerca de US$ 4,58 por bushel, rompendo temporariamente a média móvel de 50 dias, próxima de US$ 4,59. No entanto, os preços voltaram rapidamente acima desse nível, desencadeando a saída de posições vendidas e a execução de ordens de proteção, movimento conhecido no mercado como “stop”.
De acordo com a Royal Rural, não há confirmação de que uma única instituição tenha concentrado as compras, já que a Bolsa de Chicago não divulga a identidade dos participantes em tempo real. Ainda assim, a recuperação simultânea do milho e do trigo após uma tentativa frustrada de queda reforça a percepção de que o avanço foi motivado por recompras técnicas dos fundos, e não por uma nova notícia ligada aos fundamentos do mercado.
Trigo
As cotações do trigo voltaram a refletir as incertezas no cenário internacional e o contrato para setembro encerrou o dia com queda de 1,84% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 6,51 por bushel.
De acordo com a Granar, o mercado segue atento aos desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, que podem afetar o fluxo de exportações pelo Mar Negro em um momento de avanço da colheita de inverno. Além disso, a escassez de umidade em Dakota do Norte, importante região produtora de trigo de primavera nos Estados Unidos, continua gerando preocupação entre os investidores.
Após as fortes perdas da semana passada, provocadas pela liquidação de posições dos fundos de investimento, parte dos participantes voltou a monitorar possíveis riscos para a oferta global do cereal.
Nesta segunda-feira, o governo russo anunciou que reforçará a proteção dos navios que operam na bacia do Mar de Azov e do Mar Negro, além de desenvolver rotas alternativas para o transporte de cargas. A medida ocorre em meio ao aumento dos ataques com drones contra embarcações na região.
Segundo o Ministério dos Transportes da Rússia, foi criado um grupo de trabalho para reorganizar a logística e redirecionar o fluxo de cargas. O governo afirmou ainda que empresas de estiva já demonstraram capacidade para absorver volumes adicionais e acelerar os embarques, dentro dos limites operacionais dos terminais.
Soja
Depois de registrar forte queda na semana passada, o mercado da soja voltou a operar em campo positivo nesta sessão. Em Chicago, o contrato para novembro avançou 0,40% e encerrou o dia cotado a US$ 11,92 por bushel.
Segundo análise da Granar, o mercado busca se estabilizar após a desvalorização de cerca de 6% registrada na última semana. As cotações seguem pressionadas pela queda do petróleo, reflexo da expectativa de um novo entendimento entre Estados Unidos e Irã para reduzir as hostilidades no Oriente Médio.
Outro fator acompanhado pelos investidores é a mudança na previsão climática para o Meio-Oeste americano. Os modelos indicam um volume de chuvas ligeiramente superior ao esperado, com uma frente avançando das Grandes Planícies Centrais em direção ao norte do Meio-Oeste. A umidade adicional favorece o desenvolvimento das lavouras, justamente em uma fase decisiva para a definição do potencial produtivo da safra.
Por outro lado, a demanda chinesa ajudou a limitar as perdas e deu sustentação aos preços. De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a China adquiriu na última sexta-feira pelo menos 13 carregamentos de soja dos Estados Unidos, volume equivalente a cerca de 800 mil toneladas.
Com essa operação, as vendas da nova safra americana para o mercado chinês somam aproximadamente 5 milhões de toneladas, segundo comerciantes asiáticos ouvidos pela agência, reforçando a expectativa de continuidade da demanda pelo grão norte-americano.
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