A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) vai manter os investimentos em pesquisas voltadas ao agronegócio. A afirmação foi feita pelo presidente da entidade, João Martins, em entrevista coletiva concedida após a apresentação do Rally Forrageiras para o Semiárido, na segunda-feira (3), em Baixa Grande (BA).
Segundo Martins, a pesquisa precisa ser contínua para acompanhar as transformações no campo e desenvolver novas tecnologias capazes de atender às demandas dos produtores rurais.
“A pesquisa tem de continuar, vai continuar. Pesquisa é uma coisa constante. Hoje você tem um cenário, amanhã você tem outro. Há 10 anos atrás nós não tínhamos expectativa de ter uma super seca. Hoje estamos dizendo que nós vamos ter uma super seca. Então, o que quer dizer isso? Quer dizer que nós temos que fazer com que as pesquisas continuem”, disse à imprensa.
A declaração foi feita durante a apresentação da nova etapa do Projeto Forrageiras para o Semiárido. Depois de quase dez anos de estudos para identificar espécies forrageiras mais adaptadas às condições da região, a iniciativa passa a concentrar esforços na transferência das tecnologias desenvolvidas aos produtores rurais.
Ao comentar a origem do projeto, Martins afirmou que a iniciativa nasceu da percepção de que faltavam pesquisas voltadas à pecuária do Semiárido.
Segundo ele, apesar dos avanços obtidos pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em outras regiões do país, havia uma lacuna no desenvolvimento de forrageiras adaptadas às condições da região.
“Como é que nós temos uma Embrapa que conseguiu transformar uma das regiões mais pobres de solo nas terras mais produtivas do mundo? E por que essa mesma Embrapa até hoje não conseguiu fazer com que o Nordeste tivesse forrageiras, gramíneas que pudessem resistir mais à seca e alimentar os animais durante o período de seca?”, frisou.
De acordo com ele, a CNA já havia destinado R$ 5 milhões para iniciar os estudos e, após a conversa, a Embrapa passou a integrar o projeto.
O presidente da CNA também defendeu uma atuação maior do poder público no incentivo à pesquisa e à assistência técnica para pequenos produtores. Segundo ele, essas ações deveriam ser tratadas como uma política pública.
“Isso deveria ser obrigação do governo, porque é uma obrigação social. Nós estamos fazendo porque também entendemos que temos responsabilidade social”, pontuou.
Segundo o presidente da CNA, a continuidade das pesquisas também passa pela incorporação de novas tecnologias para ampliar o acesso dos produtores às soluções desenvolvidas pela entidade.
“A modernização não é modismo. Modernização é uma coisa, modismo é outra. Modismo é o que você faz de momento por acaso. A modernização é você acompanhar a evolução da necessidade. O produtor rural está tendo essa necessidade de cada dia mais ter acesso a coisas modernas. (…) Nós é que interessa a gente preparar o produtor para que, caso tenha uma grande seca, ele esteja preparado”, disse.
Martins também citou o uso de inteligência artificial nas ações da entidade. Segundo ele, produtores atendidos pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) poderão utilizar a tecnologia para esclarecer dúvidas sobre manejo e produção, complementando a assistência técnica prestada em campo.
Produção e exportações recordes redefinem a pecuária brasileira

