O enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, viveu cenas de caos nesta sexta-feira (31) após uma entrada em massa de migrantes vindos do Marrocos. Segundo estimativas do Ministério do Interior da Espanha, cerca de 49 mil pessoas cruzaram para o território espanhol nas últimas 24 horas, por via marítima e terrestre, sobrecarregando a Guarda Civil e as autoridades locais.
A repórter Helena Lins acompanhou a situação de perto, durante o Agora CNN, a poucos metros da fronteira com o Marrocos. Segundo ela, a situação permanecia “bastante fluida”, com militares nas ruas e migrantes em movimento constante nas proximidades do posto de fronteira terrestre.
Portão aberto para retorno ao Marrocos
As autoridades espanholas mantiveram aberto, desde a manhã, um portão na fronteira terrestre para permitir que os migrantes retornassem ao Marrocos voluntariamente. Segundo Helena Lins, não era exigido qualquer documento para a passagem. “Os militares, as autoridades espanholas, incentivam para que eles passem por aqui e voltem de onde vieram”, relatou a repórter. O fluxo de retorno era visivelmente maior do que o de entrada pelo lado terrestre.
Entre os migrantes presentes no local, havia pessoas de diferentes nacionalidades — não apenas marroquinos. Muitos abordaram a equipe da CNN para relatar falta de comida, água e assistência. Questionados sobre seus planos ao chegar a Ceuta, a maioria não soube responder com clareza. A barreira do idioma dificultou a comunicação, já que grande parte dos migrantes falava apenas árabe.
Chegadas continuam pela praia
Apesar do fluxo de retorno predominante, a entrada de migrantes pela praia não havia cessado completamente no momento da reportagem. Helena Lins informou que, embora a presença militar na faixa de areia fosse menor, alguns jovens ainda chegavam pelo mar a nado. “Volta e meia ouvimos os militares dar ordem para voltarem para a água”, descreveu a repórter, ressaltando que o acesso pela praia continuava sendo utilizado por um número menor de pessoas.
Ceuta, por sua posição geográfica estratégica no norte da África, representa uma das principais portas de entrada para a União Europeia por via terrestre. A travessia em massa registrada nesta sexta-feira é considerada uma das mais expressivas já documentadas no enclave espanhol.

