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Warsh enfrenta problemas no Fed após “sinal de alerta” do mercado de título

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Warsh enfrenta problemas no Fed após “sinal de alerta” do mercado de título

As declarações enfáticas na quarta-feira (29) do presidente do Fed (Federal Reserve), Kevin Warsh, de que a inflação seria reduzida, mas sem sinalizar disposição para elevar os juros, provocaram uma forte onda de vendas de títulos que pode forçá-lo a fazer uma escolha difícil: desafiar o desejo do presidente Donald Trump por uma política monetária mais flexível ou enfrentar pares do Fed determinados a torná-la mais restritiva.

Para complicar ainda mais a situação, Warsh deu a entender que poderia tentar alterar o parâmetro utilizado pelo Fed para medir o sucesso na contenção da inflação, definido há anos como um aumento de 2% em relação ao ano anterior no Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal, o índice PCE.

“Esse é o nosso número, vamos mantê-lo”, disse Warsh em uma coletiva de imprensa após o término de uma reunião de política monetária de dois dias, antes de acrescentar: “Quem sabe, depois de janeiro do ano que vem, o que poderemos dizer sobre a estratégia. Suspeito que os grupos de trabalho possam ter algo a acrescentar.”

Warsh selecionou a dedo, em maio, 15 especialistas externos para apresentar recomendações até o final de 2026 sobre a condução da política monetária do Fed, incluindo sua estrutura de inflação.

Warsh disse na quarta-feira que entrará em contato com eles nas próximas semanas e poderá compartilhar quaisquer ideias que estejam “prontas para o grande palco” na conferência global de banqueiros centrais do Fed em Jackson Hole, no Wyoming.

Ex-presidentes do Fed já utilizaram essa reunião no final de agosto para antecipar o que o banco central poderia fazer em suas reuniões de setembro. Warsh, até o momento, manteve sua promessa de não fornecer nenhuma orientação sobre a provável trajetória das taxas de juros.

A combinação das repetidas afirmações de Warsh sobre a necessidade de conter a inflação, sem nenhuma ação para levá-la em direção à meta de 2%, e uma sugestão de que as próprias metas podem mudar ajudou a elevar os rendimentos dos títulos do Treasury de 30 anos para mais de 5,2% na quarta-feira, a maior alta em 19 anos. Eles continuaram subindo na quinta-feira.

“Isso é visto, naquele prédio, quase como se os mercados estivessem votando ‘desconfiança’ no Fed e na disposição e capacidade do Fed de reduzir a inflação”, disse Nathan Sheets, economista-chefe global do Citigroup.

“Ele destacou um problema e não apresentou nenhuma estratégia para resolvê-lo além de ‘sou um hawk, confiem em mim’, e os mercados queriam mais do que isso”, afirmou Sheets, que trabalhou no Fed por 18 anos. O termo hawk (falcão, em inglês) identifica condutores da política monetária mais rígidos no controle da inflação, geralmente favoráveis a juros mais altos.

“Acho que parte disso se deve ao fato de que, se ele se inclinar demais para aumentos futuros, acaba decepcionando a Casa Branca. E é um equilíbrio entre Warsh, o ‘falcão’ — que é o que ele é –, e a tentativa de manter uma posição alinhada com a 1600 Pennsylvania Avenue”, acrescentou, citando o endereço da sede do governo norte-americano.

Sheets disse que Warsh precisará tomar uma decisão até setembro.

TEMPESTADE QUE SE FORMA

Os pares de Warsh já estão pedindo medidas.

Três dos 12 membros votantes do Fed discordaram na quarta-feira da decisão de manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Na sexta-feira, eles e quaisquer outros participantes da reunião terão liberdade para se manifestar.

Analistas esperam uma enxurrada de comentários, diante do que Sheets chamou de “sinal de alerta absoluto” representado pelo aumento das taxas dos títulos de longo prazo.

“Embora Warsh possa tentar restringir as comunicações oficiais do Fed e substituir ações por ‘discursos’, enquanto aguarda que as ‘forças-tarefa’ cheguem a um veredicto, os presidentes regionais do Fed — e talvez membros do Conselho — estão dispostos a discutir suas opiniões abertamente e o farão nos próximos dias e semanas”, disse Thierry Wizman, estrategista global de câmbio e taxas do Macquarie Group.

“Esperamos que eles se empenhem bastante em minimizar os danos e que destaquem como eles, se não Warsh, estão prontos para endurecer a política monetária.”

Antes da reunião do Fed nesta semana, alguns formuladores de política monetária, incluindo dois dos que votaram contra a manutenção da taxa na quarta-feira — a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack —, haviam sinalizado seu desconforto com a manutenção das taxas apesar do aumento da inflação.

Outros que votaram com Warsh na quarta-feira a favor da manutenção, incluindo os diretores Christopher Waller e Lisa Cook, afirmaram que também podem defender aumentos caso não vejam uma melhora na inflação em breve.

O Escritório de Análise Econômica informou na quinta-feira que a inflação do PCE recuou em junho para 3,7%, ante 4,1% em maio, e que a inflação subjacente subiu 3,3% no mês passado, após avançar 3,4% em maio.

Essa ligeira melhora já era amplamente esperada após a divulgação de outros dados sobre a inflação no início deste mês, e as autoridades afirmaram estar preocupadas com novas pressões de alta nos preços devido ao conflito em curso no Oriente Médio e ao aumento dos investimentos em tecnologia relacionada à IA.

Os gastos das empresas com equipamentos aumentaram a uma taxa de 15,2% no segundo trimestre, informou o escritório em um relatório separado na quinta-feira, marcando o segundo trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos.

Trump, até o momento, tem evitado criticar Warsh por não ter conseguido reduzir as taxas, culpando, em vez disso, os demais membros do conselho do novo presidente do Fed.

“Os membros do conselho deixaram claro a Warsh que pretendem pressionar por um aumento em setembro se a inflação não diminuir significativamente durante o verão (no hemisfério norte)”, disse em nota Tim Duy, economista-chefe para os EUA da SGH Macro Advisors.

“Se Warsh for de fato dove (menos rígido com a inflação) disfarçado de hawk, ele não terá tanto apoio no conselho para manter as taxas estáveis novamente diante de uma inflação persistentemente alta”, ponderou.

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