Últimas

Free Flow: o futuro da mobilidade não será decidido pela tecnologia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Desde que o Free Flow começou a ganhar espaço nas rodovias brasileiras, boa parte do debate passou a girar em torno de uma pergunta: a identificação por placas substituirá as tags?

A pergunta parece natural, mas parte de uma premissa equivocada. O futuro da mobilidade será definido pela tecnologia que prevalecer e que garantirá capacidade de integrar diferentes soluções em uma experiência simples, segura e transparente para quem está na estrada.

O Free Flow representa um avanço importante. Ao eliminar as praças físicas de pedágio, reduz congestionamentos, torna a cobrança mais proporcional ao uso da infraestrutura e melhora a fluidez do tráfego. Mas nenhuma inovação se consolida apenas porque a tecnologia funciona. Ela precisa funcionar para todos os envolvidos.

É justamente aí que está o principal desafio desta nova etapa.

A discussão sobre o Free Flow costuma concentrar atenção na forma como os veículos são identificados, quando a questão mais relevante está na interoperabilidade entre os sistemas. Se cada tecnologia operar de maneira isolada, o usuário continuará enfrentando experiências diferentes dependendo da rodovia, da concessionária ou da solução escolhida.

Nesse cenário, as tags continuam desempenhando um papel relevante. Hoje, oferecem uma experiência integrada que vai além do pedágio eletrônico, permitindo acesso a estacionamentos, aeroportos e outros serviços de mobilidade por meio de uma única identificação. Essa abrangência não decorre apenas da tecnologia em si, mas de um ecossistema construído ao longo dos anos, baseado em padrões comuns e ampla interoperabilidade.

A evolução dessa tecnologia amplia possibilidades, reduz barreiras de entrada e pode acelerar a adoção do Free Flow. No entanto, para que ela entregue ao usuário uma experiência equivalente, ainda será necessário avançar em aspectos regulatórios, operacionais e de integração entre diferentes operadores.

Por isso, talvez a discussão mais importante não seja quando as placas alcançarão as tags, nem se as tags continuarão sendo predominantes. A pergunta mais relevante é outra: estamos construindo um sistema em que diferentes tecnologias consigam trabalhar juntas sem transferir complexidade para o usuário?

Quando a tecnologia funciona de verdade, ela deixa de ser percebida. O motorista não deveria precisar pensar em como será identificado ou qual sistema está por trás da cobrança. Sua preocupação deve ser apenas seguir viagem. É essa simplicidade, construída por interoperabilidade, padronização e colaboração entre os diversos agentes do setor, que determinará o sucesso do Free Flow nos próximos anos.

* Alexandre Fontes é o superintendente de Negócios B2C na Veloe. Graduado em Engenharia Elétrica pela Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), possui MBAs em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e em Estratégia Empresarial pela Universidade de São Paulo (USP). Na empresa há 10 anos, conta com passagens pela Concessionária Rodovias da Colinas, CIBE Participações, Concessionária Rota das Bandeiras e ConectCar,

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.
Free Flow: o futuro da mobilidade não será decidido pela tecnologia — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado