A Uefa e a Fifa entraram em rota de colisão nesta quinta-feira (30). O órgão votou pelo boicote às futuras Copas do Mundo – masculinas e femininas – diante do plano de injeção de capital privado nas competições anunciado por Gianni Infantino.
Esse é apenas mais um episódio de divergência entre o presidente da Fifa e Aleksander Ceferin, que está atualmente à frente da confederação europeia.
Ele consolidou sua projeção global ao adotar uma postura firme nos bastidores políticos do esporte, se tornando o principal contraponto ao modelo de gestão liderado por Gianni Infantino.
Quem é Aleksander Ceferin, o presidente da Uefa?
Ceferin é um advogado e dirigente esportivo esloveno, de 58 anos, que comanda a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) desde 2016. Especializado em direito esportivo, presidiu a Federação Eslovena de Futebol antes de chegar ao topo do futebol europeu.
Ele começou sua trajetória no futebol nos anos 2000, quando passou pelo clube de futsal FC Litija e pelo Olimpija Ljubljana.
Em 2011, assumiu a presidência da Federação Eslovena de Futebol, cargo que ocupou até subir de patamar e assumir o lugar que antes era de Michel Platini na Uefa.
Medindo forças na Europa
O primeiro grande “teste” de Ceferin foi em 2021, com a criação da Superliga. Na época, ele liderou a forte resistência jurídica e institucional que barrou a criação do torneio.
A ideia central dos gigantes da Europa era criar um torneio composto pelos clubes mais ricos e tradicionais do continente.
Inicialmente, Real Madrid, Barcelona, Juventus e seis clubes ingleses assinaram para ser os membros fundadores permanentes. Eles não corriam o risco de rebaixamento, garantindo vagas automáticas independentemente de seus desempenho nos campeonatos nacionais.
Conflito com a Fifa
A Superliga colocou Ceferin em evidência, o que também expôs uma relação que nunca foi fácil com o modelo de gestão da Fifa.
As divergências entre as duas entidades tornaram frequentes. Ceferin tem se colocado contra a criação de novos torneios, o inchamento do calendário, que culminaram em episódios como o rompimento diplomático – ele já não frequenta cerimônias oficiais em sinal de protesto.
Por que a Uefa vai boicotar os torneios da Fifa?
A Fifa e Infantino anunciaram, na terça-feira (28), planos para criar uma subsidiária — envolvendo investimento de capital privado — que deteria o controle dos direitos comerciais e operacionais de um dos maiores eventos esportivos do mundo.
A proposta tem sido alvo de intenso escrutínio e críticas em todo o mundo, com a Uefa afirmando que a “alma e a governança” do esporte estão sob ameaça. Por outro lado, a Fifa declarou que os recursos gerados pelo que chama de Fifa Forward Enterprise (FFE) serão reinvestidos no esporte.
O posicionamento da entidade europeia divulgado nesta quinta foi duro. “A posição da Europa é clara. Jamais conferiremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender algo que apenas custodia para a próxima geração”, diz o texto enviado à CNN.
A votação da Uefa foi unânime, com todos as 55 associações nacionais a favor, colocando o membro mais rico e importante da Fifa em conflito com seu presidente, Gianni Infantino.

