O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, classificou como “totalmente inaceitável” a falta de consulta por parte da Fifa sobre seu plano de vender participações na Copa do Mundo a investidores privados, afirmando que a medida prejudica a estrutura continental existente do esporte.
Os comentários, de uma franqueza incomum para o dirigente bareinita, constam em uma carta enviada nesta quinta-feira (30) às 47 federações nacionais de futebol filiadas à entidade regional — documento ao qual a Reuters teve acesso.
Na terça (28), a Fifa anunciou planos de criar uma subsidiária comercial avaliada em 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 102 bilhões) para gerir a Copa do Mundo e outros eventos, o que gerou críticas de confederações regionais, incluindo a AFC, que alegaram ter sido pegas de surpresa pelo anúncio.
“A AFC registra com grande preocupação e decepção o fato de não ter sido consultada pela Fifa, em qualquer nível, antes do anúncio público desta proposta”, escreveu o Sheikh Salman.
“Além disso, não houve qualquer análise detalhada — seja de governança, financeira ou jurídica — da proposta e de suas possíveis repercussões, o que é totalmente inaceitável. Ademais, a AFC está profundamente preocupada com o fato de que as ações unilaterais da Fifa parecem minar os próprios fundamentos do futebol continental, que se baseiam na solidariedade, na cooperação e na transparência.”
Sediada em Kuala Lumpur, a AFC é uma das seis confederações da Fifa e é responsável pela organização de competições regionais de clubes e seleções em uma vasta área que abrange a Ásia continental, o Oriente Médio e a Austrália.
O dirigente bareinita afirmou que a proposta não prosperaria sem o apoio de todas as confederações.
O xeique Salman defendeu que o projeto do presidente da Fifa, Gianni Infantino, fosse “examinado e discutido minuciosamente por meio dos canais adequados de governança e jurídicos” e questionou o prazo exíguo concedido às associações-membro para a aprovação do plano.
Nesta semana, Infantino informou, em carta enviada a todas as 211 associações de futebol, que cada uma receberia 40 milhões de dólares caso concordasse com a proposta da Fifa até o dia 19 de setembro.
“A AFC também se surpreende com o fato de que o cronograma atual prevê um período extremamente limitado para a análise de uma proposta de tamanha relevância, visto que decisões dessa natureza jamais deveriam ser tomadas às pressas”, escreveu o xeique Salman.
Ele pediu aos membros da confederação que evitassem tomar qualquer decisão sobre a proposta antes que a AFC realizasse novas discussões com a Fifa.
“A AFC solicita gentilmente a todas [as associações-membro] que aguardem o desfecho dessas consultas e a conclusão dos processos de análise necessários antes de definirem qualquer posição em relação à proposta”, escreveu ele.
“Garanto-lhes que a AFC permanece totalmente empenhada em trabalhar de forma construtiva com todas [as associações-membro], com a Fifa e com as partes interessadas para promover os interesses do futebol e assegurar que o crescimento contínuo do esporte se sustente em bases de confiança, transparência e unidade.”
A Fifa não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters sobre a carta.
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