O anúncio desta quinta-feira (30) da Uefa, órgão que comanda o futebol europeu, em boicotar às futuras Copas estremece ainda mais a relação da entidade com a Fifa.
O clima entre as duas federações vem azedando cada vez mais desde a disputa da Copa do Mundo. Agora, a Uefa subiu o tom e, em votação unânime com todas as 55 55 associações nacionais a favor, mostrou ainda mais força na guerra fria que vem assolando o futebol mundial.
O que aconteceu
A decisão dos europeus veio como forma de protesto ao plano da entidade máxima do futebol mundial de injetar capital privado em suas competições.
A Fifa e Infantino anunciaram, na terça-feira (28), planos para criar uma subsidiária — envolvendo investimento de capital privado — que deteria o controle dos direitos comerciais e operacionais de um dos maiores eventos esportivos do mundo.
A proposta tem sido alvo de intenso escrutínio e críticas em todo o mundo, com a Uefa afirmando que a “alma e a governança” do esporte estão sob ameaça. Por outro lado, a Fifa declarou que os recursos gerados pelo que chama de Fifa Forward Enterprise (FFE) serão reinvestidos no esporte.
Europa “fora” da final da Copa
A final da Copa do Mundo no dia 19 de julho entre Espanha e Argentina, vencida pelos europeus, não contou com a importante presença de Aleksander Ceferin, presidente da Uefa.
A ausência do dirigente, que está à frente do futebol europeu desde 2016, aconteceu após uma série de desentendimentos entre as duas entidades a respeito de procedimentos disciplinares, logística de arbitragem e operações de jogo, segundo informou a Reuters na época.
Algumas novidades incluídas no Mundial também não foram bem vistas pelos membros da Uefa. Essas mudanças incluíram a implementação de paradas obrigatórias para hidratação e um intervalo de tempo regulamentar estendido na final.
Fifa “cruza linha vermelha”
Outro ponto de atrito teve como personagem Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos expulso na partida contra a Bósnia na fase 16-avos.
Apesar da suspensão por conta do cartão vermelho, Balogun foi liberado pela Fifa para disputar as oitavas de final contra a Béligca. A decisão revoltou diversos personagens da bola, principalmente após Donald Trump, presidente dos EUA, confirmar que ligou para Gianni Infantino, solicitando uma revisão do caso.
A Uefa reagiu e mostrou “incredulidade diante de uma decisão sem precedentes”. Para ela, a Fifa “cruzou uma linha vermelha” com a polêmica medida, colocando em risco a integridade do Mundial.
Quando a segurança de que as regras serão cumpridas deixa de ser garantida por aqueles que deveriam protegê-las, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é comprometida. Da mesma forma, essa decisão cria um precedente durante o torneio em andamento, já que situações semelhantes passarão a exigir tratamento igual, em prejuízo da própria competição.
Uefa
Pelas regras da Copa, o jogador deveria cumprir suspensão automática de uma partida. No entanto, a Fifa suspendeu a aplicação da punição por um período probatório de um ano.
Árbitro no meio de uma polêmica
O imbróglio envolvendo o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan antes da Copa também creiou uma rusga entre Uefa e Fifa. O profissional ficou impedido de participar da Copa do Mundo após ter sua entrada negada nos Estados Unidos.
Após a comoção do mundo do futebol, a Uefa se “solidarizou” com a situação e escalou Artan para apitar a Supercopa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, jogo que acontece em agosto e abre a temporada no Velho Continente.
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