A forte queda das ações da 3tentos nos últimos dias e a repercussão de reportagens sobre pedidos de investidores para que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apure reuniões realizadas com analistas levaram fontes que acompanham a companhia a rebater a interpretação de que tenha havido divulgação seletiva de informações.
Segundo essas fontes, os encontros seguiram o padrão habitual de relacionamento com investidores e não incluíram qualquer guidance ou antecipação de resultados. As discussões se concentraram no cenário do agronegócio e, principalmente, nos impactos do adiamento da implantação do B16 sobre todo o setor de biodiesel.
Na avaliação dessas fontes, o atraso na elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel pressiona as margens de todas as usinas e frustrou uma expectativa compartilhada por toda a indústria. Por isso, afirmam que não houve nenhum fato novo ou específico que alterasse a tese de investimento da companhia ou seu modelo de negócios.
“Ou um analista entendeu errado ou fez cálculos errados sobre a empresa, divulgou isso aos clientes e gerou esse burburinho”, afirmou à CNN um participante dessas reuniões.
O segundo trimestre foi desafiador para boa parte do agronegócio, com impactos dos juros elevados, do aumento dos custos de diesel e frete, além das incertezas provocadas pelo tarifaço e pelo embargo chinês. Entretanto, os resultados, previstos para divulgação no próximo dia 14, ainda estão em fase de fechamento e passarão por auditoria.
Por isso, segundo outra fonte presente na reunião, nenhuma estimativa oficial de desempenho foi apresentada aos investidores.
Apesar da volatilidade recente dos papéis, relatórios divulgados nesta semana por BTG Pactual e Citi mantiveram recomendação de compra para as ações da companhia, indicando que, na avaliação das duas instituições, a tese de investimento de longo prazo permanece inalterada.

