A Samarco vive hoje uma etapa importante de sua trajetória. Nos últimos anos, avançamos na implementação de novos padrões de governança, segurança e tecnologia, ao mesmo tempo em que conduzimos um dos maiores processos de reparação já realizados no país. Essa jornada reforçou uma convicção: o futuro da mineração depende da capacidade de combinar desenvolvimento econômico, responsabilidade socioambiental e diálogo permanente com a sociedade.
Nesse contexto, a assinatura do Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024, representa um marco importante. Com um montante assegurado de R$ 170 bilhões, o acordo estabelece bases para a implementação de ações de reparação nos territórios impactados, trazendo mais clareza para a execução dos compromissos assumidos.
A definição das responsabilidades previstas no Novo Acordo criou condições para acelerar entregas para as comunidades, o meio ambiente e a sociedade, fortalecendo a capacidade de execução das ações de reparação. Esse avanço é resultado de aprendizados construídos ao longo dos anos. O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, transformou profundamente a Samarco, a mineração brasileira e a forma como o setor encara seus desafios de segurança e gestão de riscos.
Os resultados desse novo modelo de reparação já podem ser observados na prática. O Programa Indenizatório Definitivo (PID), previsto no Novo Acordo e operacionalizado pela Samarco, já indenizou mais de 310 mil pessoas, com R$ 11,4 bilhões pagos até junho de 2026. Esses números demonstram que a reparação avança e reforçam nossa convicção de que a confiança se reconstrói por meio de entregas concretas, escuta ativa e compromisso com os resultados.
A reparação também nos ensinou que confiança exige presença, diálogo e transparência. Por isso, seguimos atuando de forma próxima aos territórios, ouvindo comunidades e diferentes públicos, ao mesmo tempo em que buscamos transformar compromissos em ações concretas.
Com esses aprendizados, retomamos as operações em dezembro de 2020 sob um novo paradigma: o fim do uso de barragens para disposição de rejeitos nas nossas operações. Atualmente, utilizamos filtragem e empilhamento a seco, uma solução que reforça nossos padrões de segurança operacional.
A Samarco é uma empresa brasileira de mineração, fundada em 1977 e tem como acionistas, em partes iguais, a BHP Brasil e a Vale. Nosso principal produto são as pelotas de minério de ferro, um insumo estratégico para a siderurgia mundial que contribui para aumentar a eficiência dos processos produtivos e reduzir emissões na fabricação do aço. Ao longo da nossa trajetória, consolidamos posição de destaque no mercado global de pelotas, conectando a produção mineral brasileira às demandas da economia mundial.
Operamos hoje com 60% da nossa capacidade produtiva instalada. Esse avanço gradual nos permitiu consolidar novos padrões de segurança e governança, e agora seguimos para uma nova etapa da retomada operacional. Estamos nos preparando para atingir 100% da nossa capacidade produtiva instalada a partir de 2028, com um aporte de R$ 13,8 bilhões.
Entendemos que a sustentabilidade das operações é um elemento indispensável para assegurar a continuidade dos compromissos assumidos com a reparação e com os territórios onde atuamos.
Nesse contexto, as pelotas de minério de ferro desempenham um papel importante na transição energética global, contribuindo para processos siderúrgicos com menor intensidade de emissões e para uma rede produtiva cada vez mais alinhada às demandas de sustentabilidade.
A reconstrução da confiança é um processo contínuo, que acontece por meio da prestação de contas, da escuta, do diálogo com a sociedade e do cumprimento dos compromissos assumidos. A governança que implementamos, alinhada a referências internacionais, busca fortalecer a segurança operacional e promover a melhoria contínua dos nossos processos.
O aprendizado adquirido nos ajuda a construir a Samarco do presente e do futuro, focada em uma mineração mais segura, mais responsável e cada vez mais conectada às pessoas, aos territórios e à sociedade.
* Rodrigo Vilela é CEO da Samarco
