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Disparada do petróleo acenda alerta para nova pressão na inflação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Disparada do petróleo acenda alerta para nova pressão na inflação

Os preços do petróleo têm novo dia de alta nesta quinta-feira (23), próximo ao patamar de US$ 100 pelo quinto dia seguido.

A escalada dos valores traz não só a mensagem de que os conflitos no Oriente Médio estão longe de acabar, como também reforçam o temor de disrupção nas cadeias de abastecimento global e um possível avanço da inflação nos próximos meses.

Segundo André Braz, economista do FGV/Ibre, essa nova alta está sendo puxada, principalmente, pelos novas ofensivas entre os Estados Unidos e Irã.

“Os ataques a navios no Mar Vermelho e os riscos à circulação pelo Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb aumentaram o temor de interrupções no abastecimento”, explica.

De acordo o especialista, essas rotas são estratégicas para o comércio mundial de petróleo, e os acontecimentos aos arredores dos estreitos causa rapidamente efeito no mercado e nas cotações.

Com o aumento do petróleo, novas aflições relacionadas à inflação aparecem. Segundo Braz, se o movimento se mostrar persistente, a inflação pode vir a piorar.

O petróleo mais caro por várias semanas poderia levar o mercado a revisar para cima as projeções de inflação e reduzir ainda o espaço para cortes de juros, diz o economista.

André Matos, CEO da MA7 Capital, por sua vez, adiciona que um choque de petróleo mais persistente tende a afetar combustíveis, fretes e câmbio, o que, para ele, “são justamente os canais que contaminam a inflação mais à frente”, afirma.

Matos ainda reforça que o aumento de preços chega a 35% apenas neste mês.

No entanto, o repasse nos preços da gasolina, por exemplo, não devem chegar por ora.

“O reflexo tende a vir, mas com alguma defasagem, porque a Petrobras não repassa a variação diária e costuma esperar para ver se a alta é consistente antes de mexer nos preços da refinaria. Se o barril se firmar nesse patamar, a probabilidade de reajuste na gasolina e no diesel nas próximas semanas cresce bastante”, afirma.

Braz também acredita que, principalmente no Brasil, ainda é cedo para afirmar quando ou em que magnitude isso chegará às bombas, mas que “se o petróleo permanecer próximo de US$ 100 e o dólar também avançar, a pressão por reajustes da gasolina, do diesel e do gás de cozinha cresce”.

Na noite de na quinta-feira (23), os houthis, alinhados ao Irã, afirmaram que atacaram dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Enquanto isso, as forças armadas dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, sob ordens do presidente Donald Trump, marcando a 12ª noite consecutiva de ataques americanos e provocando novas retaliações iranianas.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi questionado sobre as recentes ameaças do presidente Donald Trump de “bombardear e destruir” uma ponte ou usina de energia sempre que o Irã atacar um navio no Estreito de Ormuz.

Ao falar com jornalistas à margem da cúpula da ASEAN em Manila, capital das Filipinas, Rubio afirmou: “O Irã está nos implorando, direta e indiretamente: ‘Vamos fazer um acordo. Vamos conversar. Vamos conversar’.”

Às 10h (de Brasília), o petróleo Brent sobe 6,07%, a US$ 99,75 o Barril, enquanto o WTI é cotado a US$ 91,08, alta de 4,91%.

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