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Análise: EUA como parceiro comercial instável é o novo normal

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Análise: EUA como parceiro comercial instável é o novo normal

O governo brasileiro anunciou uma nova rodada do Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito totalizando R$ 18,5 bilhões destinadas a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

O pacote, apresentado na mesma data em que as tarifas de 25% passaram a vigorar, inclui financiamentos com juros reduzidos para que as companhias cubram custos operacionais e busquem novos mercados para seus produtos.

Além dos setores diretamente atingidos pelas tarifas americanas, o governo ampliou o leque de beneficiários, incluindo exportadores da indústria, do agronegócio e da cadeia de transformação de minerais críticos.

O governo também antecipou a possibilidade de incluir empresas que venham a ser afetadas pelas novas tarifas relacionadas a investigações sobre trabalho forçado, cujo anúncio estava previsto para a sexta-feira (24). A expectativa é de que o Brasil esteja no grupo sujeito à maior alíquota, de 12,5%.

Setor privado cobra mais do que crédito

Apesar de reconhecer o avanço do programa, representantes do setor privado apontaram limitações. Segundo relatos das reuniões realizadas com o governo, as empresas não pleiteavam apenas crédito, mas também a redução do IOF e o restabelecimento do Reintegra — mecanismo de devolução de impostos pagos ao longo da cadeia produtiva e não ressarcidos.

Além disso, houve críticas às taxas de juros praticadas nos repasses pelas instituições financeiras, consideradas ainda elevadas.

O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, chamou atenção para o risco de oportunismo nas medidas anunciadas. O Plano Brasil Soberano 3.0 já contempla setores que não foram diretamente afetados pelo tarifaço americano.

O Brasil figura como o 27º maior player global em intercâmbio comercial, mas ocupa a quarta posição entre os países que mais aplicam medidas antidumping — o que evidencia uma tendência protecionista que pode se intensificar no atual contexto.

Negociação formal só após as eleições

A avaliação predominante entre os analistas é de que uma negociação formal entre Brasil e Estados Unidos dificilmente ocorrerá antes das eleições brasileiras.

Os canais técnicos permanecem abertos — foi mencionado que o ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, mantém contato direto com representante do USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos), Jamieson Greer, —, mas um acordo concreto está fora do horizonte imediato.

“Efetivamente uma negociação, vamos ser sinceros, é só depois das eleições”, afirmou Daniel Rittner.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, reforçou esse diagnóstico ao observar que o governo americano provavelmente aguardará a definição eleitoral no Brasil antes de retomar negociações bilaterais.

Ele acrescentou que os Estados Unidos estão envolvidos em diversas frentes simultâneas — como a renovação do USMCA, o acordo com a Europa e as tratativas com a China —, o que faz com que o Brasil não seja prioridade na agenda comercial norte-americana. “O Brasil não é exatamente uma prioridade na agenda comercial norte-americana”, disse Barral.

Instabilidade americana como novo normal

Welber Barral também chamou atenção para o uso, pelos Estados Unidos, da Seção 338 — um dispositivo que não era acionado desde 1930 —, desta vez contra o Canadá, com indicações de que poderá ser utilizado em outras disputas setoriais.

Esse cenário de instabilidade crescente tem pressionado exportadores brasileiros a buscar financiamento favorável, proteção contra a concorrência estrangeira e acesso a novos acordos comerciais.

O ex-secretário descreveu as estratégias que diferentes empresas estão adotando diante do novo cenário: algumas redirecionam exportações para a América Latina e para o mercado interno; outras reforçam investimentos na Argentina para exportar dali para os Estados Unidos; e há ainda aquelas que planejam instalar uma etapa final de produção em solo americano.

“Cada setor vai ter que ter uma alternativa, as particularidades são muito grandes, você não tem uma fórmula geral para a resolução no curto prazo”, concluiu.

Dimensão eleitoral do tarifaço

No mesmo dia do anúncio do pacote econômico, o PT lançou a campanha “O Brasil Não Se Entrega”, reforçando o discurso de defesa da soberania nacional, especialmente em relação ao Pix e aos minerais críticos.

A avaliação interna é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se beneficia eleitoralmente ao se posicionar como defensor do país frente às pressões externas.

Pesquisas indicam que Donald Trump é um nome impopular entre os brasileiros, com índices de desaprovação em torno de 55%, o que fragiliza quem tenta se associar à sua imagem no cenário político nacional.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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