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Macaco achado em ônibus de Londres reacende temores de abandono de animais

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)

Um motorista de ônibus de Londres descobriu um macaco em uma gaiola, escondido dentro de um saco de roupa suja, a bordo de seu veículo na semana passada.

Acredita-se que o sagui tenha sido descartado por seu proprietário, levando agentes de bem-estar animal a alertar sobre a possibilidade de novos abandonos em decorrência de uma mudança recente na legislação sobre a posse de primatas na Inglaterra.

O motorista do ônibus da linha 302, que não foi identificado, encontrou o animal aterrorizado no noroeste de Londres na manhã de sexta-feira (17).

Uma mãe tentava desembarcar com o filho em um carrinho de bebê, mas não conseguia passar porque um grande saco de roupa suja bloqueava o caminho, segundo a RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals).

A inspetora-chefe da organização beneficente em Londres, Clare Dew, que agora investiga o caso, disse em um comunicado à imprensa enviado à CNN: “O motorista veio ajudá-la e, ao afastar a bolsa, o macaco que estava dentro começou a chiar e a pular. Quando ele olhou para dentro, avistou o sagui assustado.”

O sagui, que desde então recebeu o apelido de “Oyster”, em referência ao cartão de transporte de Londres, foi levado de volta à garagem de ônibus no bairro vizinho de Willesden, onde os funcionários entraram em contato com a RSPCA.

“O macaco, uma fêmea de sagui-comum, estava dentro de uma pequena gaiola de metal branca, que havia sido embrulhada em uma sacola plástica de lavanderia xadrez com alças, ficando, assim, bem escondida.

Ela havia sido deixada com um pouco de maçã, mas estava, compreensivelmente, muito estressada e desidratada”, disse Dew.

“Ninguém notou nada de incomum no ônibus antes do macaco ser descoberto, mas vamos analisar as imagens das câmeras de segurança e os registros de embarque e desembarque para tentar localizar a pessoa que o deixou a bordo. Foi claramente algo intencional”, completou ela.

Macaco é encontrado em ônibus em Londres • RSPCA/ VIA CNN

Oyster foi examinada por um veterinário especialista, que a considerou saudável, e, desde então, vem se adaptando a um santuário com instalações especializadas para primatas.

“Por uma coincidência do destino, um santuário estava trabalhando conosco para encontrar uma fêmea de sagui adequada para ser apresentada a um macho solitário que eles abrigavam”, afirmou a inspetora.

Ela se adaptou muito bem durante o fim de semana e está se alimentando bem; por isso, esperamos que ela possa conhecer seu novo amigo em breve. Caso não seja reivindicada, ela permanecerá lá sob os cuidados de tratadores experientes, em um recinto maravilhoso e na companhia de outros animais.

Dew e sua equipe acreditam que o abandono de Oyster provavelmente será o “primeiro de muitos”, em decorrência de uma legislação que entrou em vigor em abril.

As novas regras determinam que todos os primatas na Inglaterra devem agora possuir licença, garantindo que sejam mantidos em condições que atendam a “padrões de zoológico”, o que, na prática, equivale a uma proibição de manter primatas como animais de estimação, segundo o governo após a aprovação da lei.

Estima-se que 5 mil primatas sejam mantidos atualmente como animais domésticos no Reino Unido, segundo as autoridades. A RSPCA afirmou que houve pouca adesão às novas licenças, gerando preocupações de que muitos proprietários acabem mantendo os animais em condições ilegais ou os abandonando.

“Eu me surpreenderia se esse fosse o último primata que vemos sendo abandonado”, disse Dew, incentivando proprietários que estejam com dificuldades para cuidar de seus animais a procurar veterinários ou organizações beneficentes, como a RSPCA.

Segundo Evie Button, especialista em animais exóticos da RSPCA, os primatas são “animais selvagens altamente inteligentes e sociais” que necessitam de “muito espaço, estímulo mental e companheiros adequados”.

“Em última análise, acreditamos que primatas não devem ser mantidos como animais de estimação. Queremos ver um futuro em que os macacos não sejam mais mantidos em residências, mas sim protegidos em ambientes que realmente atendam às suas necessidades”, acrescentou ela.