O presidente da Câmara dos Estados Unidos, Mike Johnson, acredita que membros do Congresso não deveriam se envolver romanticamente com funcionários da Câmara, mesmo quando esses funcionários não trabalham diretamente para eles.
Johnson comentou o assunto durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (21), em meio a um debate acalorado no Capitólio: membros do Congresso deveriam poder se relacionar com funcionários que não fazem parte de seus próprios gabinetes? Para Johnson, a resposta é simples: não deveriam.
“Não consigo acreditar que isso seria aceitável em qualquer situação”, disse Johnson sobre parlamentares da Câmara que namoram funcionários. “Acho que, no mínimo, o Congresso deveria ter regras e tradições que sejam seguidas pela América corporativa, então essa é uma decisão fácil para mim.”
Os comentários de Johnson ocorrem enquanto esforços para reduzir o assédio no Capitólio ganham força e um grupo de trabalho bipartidário busca implementar reformas destinadas a tornar o Congresso um ambiente mais seguro e profissional para as mulheres.
A questão sobre se membros do Congresso deveriam poder se relacionar com funcionários de outros gabinetes está no centro do debate sobre como eliminar o assédio sexual no Capitólio.
Muitos parlamentares argumentaram, nos dias seguintes às renúncias do deputado democrata Eric Swalwell e do deputado republicano Tony Gonzales, que legisladores deveriam ser proibidos de manter qualquer relação sexual com funcionários da Câmara, não apenas com aqueles que trabalham diretamente para eles.
Mas a iniciativa enfrentou críticas de alguns setores, que argumentaram que, com a chegada de um número maior de parlamentares jovens e solteiros a Washington, relacionamentos consensuais fora do gabinete de um membro do Congresso estariam além dos limites do que a instituição deveria regulamentar.
A presidente do Grupo de Mulheres Democratas da Câmara, Teresa Leger Fernandez, apoiou rapidamente a posição de Johnson, defendendo que a medida deveria ser incluída em um conjunto de propostas do grupo de trabalho bipartidário sobre assédio sexual.
“Desde o início, defendemos ampliar a proibição de que membros mantenham relações sexuais com todos os funcionários”, afirmou ela. “A dinâmica de poder que leva ao abuso existe para todos os funcionários, não apenas para aqueles que trabalham no próprio gabinete dos parlamentares.”
Ela acrescentou que espera “finalizar nosso trabalho” com o Grupo de Mulheres Republicanas da Câmara “para reformar a cultura de má conduta sexual no Capitólio.”
Já é contra as regras da Câmara que parlamentares busquem relacionamentos ou namorem seus próprios funcionários, mas os comentários de Johnson podem dar mais impulso ao grupo de trabalho bipartidário para avançar com a iniciativa.
A deputada republicana Kat Cammack disse à CNN, antes dos comentários de Johnson na terça-feira, que o grupo de trabalho estava “cerca de 70%” avançado no esforço para apresentar uma lista de propostas.
Mas ela afirmou que ainda havia trabalho a ser feito.
“Há muito consenso em torno do treinamento. Existe um consenso muito forte sobre conscientização e simplificação dos processos. Agora vem a parte difícil: como lidar com a responsabilização pelas consequências e acabar com as retaliações no Capitólio?”, disse ela.
Uma das partes mais delicadas da negociação tem sido definir como lidar com parlamentares que violam as regras, com que rapidez eles devem ser responsabilizados e como equilibrar o interesse pela responsabilização com o fato de que os membros do Congresso são eleitos pelos eleitores.
“É preciso equilibrar o papel constitucional que temos de proteger as pessoas em nossos estados e distritos, assim como o direito delas à representação, com o mau comportamento que ocorre aqui em Washington, no Capitólio”, disse Cammack. “Para mim, essa é provavelmente uma das coisas mais frustrantes: se os eleitores em casa soubessem como seus representantes estão agindo aqui no Capitólio, eles resolveriam a situação na eleição seguinte. Mas, infelizmente… nós não usamos câmeras corporais aqui.”

