A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira (20) ter atacado a Base Aérea de Al-Sakhir, o Porto de Bin Salman no Bahrein e a Base de Arifjan no Kuwait. As forças armadas do Kuwait informaram que estavam “interceptando alvos hostis” pela segunda vez nesta segunda-feira.
O anúncio ocorre após um fim de semana intenso de trocas de ataques, com as Forças dos Estados Unidos atingindo o território iraniano e Teerã bombardeando nações árabes e do Golfo aliadas dos americanos.
No Estreito de Ormuz, um navio-tanque foi “atingido por um projétil desconhecido”, informou a autoridade marítima do Reino Unido (UKMTO) nesta segunda-feira (20). A embarcação pegou fogo e ficou à deriva na costa de Omã, enquanto a tripulação “abandonou a embarcação em segurança”, acrescentou a UKMTO.
Os ataques fazem parte de uma escalada no confronto entre os Estados Unidos e o Irã, após um acordo de cessar-fogo provisório, assinado há um mês, ter fracassado. Isso aprofundou a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, prejudicando o fornecimento de energia e alimentando temores de inflação global.
No final do domingo (19), autoridades governamentais dos dois lados insistiam que a chave para a diplomacia estava além do acordo provisório assinado entre os países — acrescentando que prosseguiriam com ataques de caráter “defensivo”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, alertou que Teerã não implementaria o acordo de 14 pontos depois que Washington o “violou”.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também reiterou essa acusação e afirmou que o Irã não estava “cumprindo” o plano, declarando a repórteres no domingo: “Não se pode manter um MOU (memorando) em vigor se os termos estão sendo violados.”
Baixas na guerra
Na mais recente baixa americana registrada na guerra, as Forças Armadas dos EUA informaram no domingo (19) que um militar morreu no sábado (18), no norte do Iraque, onde os Estados Unidos mantêm bases militares, durante a detonação controlada do que o Comando Central descreveu como munição não detonada pertencente a um drone de ataque iraniano abatido.
Anteriormente, os militares americanos haviam informado que dois militares morreram na Jordânia e que um terceiro estava desaparecido em combate.
No domingo, o Comando Central declarou que “restos mortais não identificados” foram encontrados no local do ataque ocorrido na sexta-feira e que “o processo de identificação dos restos mortais está em andamento”.
O Departamento de Defesa americano identificou os dois militares — o primeiro-tenente Tyler James Feehan, de 25 anos, e a soldado Isabella Gonzales, de 19 anos — mortos em ataques iranianos na Jordânia na semana passada; essas foram as primeiras baixas americanas decorrentes de ataques desse tipo desde março.
Com os anúncios mais recentes, o número total de militares americanos mortos desde o início da guerra chegou a 17, enquanto mais de 420 ficaram feridos.
No Irã, mais de 50 pessoas morreram e outras 517 ficaram feridas entre 27 de junho e 19 de julho, informou a agência estatal IRNA no domingo (19), citando o Ministério da Saúde do país.
Estreito de Bab el-Mandeb bloqueado
Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram também nesta segunda-feira a imposição de um bloqueio naval à Arábia Saudita.
O Irã vinha pressionando os Houthis a fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana.
Em comunicado, as forças armadas do grupo declararam “um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na lógica de ‘olho por olho’, com efeito imediato…”
Os Houthis afirmaram que a decisão foi uma resposta ao que classificaram como um “cerco injusto e opressor” imposto ao Iêmen pelos sauditas.
A medida abre uma nova frente na guerra do Oriente Médio, que tem os Estados Unidos contra o Irã, e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.
Não houve reação imediata por parte da Arábia Saudita.
O fechamento total do Estreito de Bab el-Mandeb reduziria a oferta global de petróleo em 7%, impedindo o escoamento da maior parte das exportações de petróleo saudita para fora da região.
Essa interrupção se somaria à drástica redução nos fluxos globais de petróleo causada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em 10% da oferta mundial.
Esforços diplomáticos para restaurar o cessar-fogo
O anúncio dos Houthis ocorreu após sinais, tanto do Irã quanto dos EUA, de interesse em retomar esforços diplomáticos para encerrar uma escalada de ataques que praticamente inviabilizou o frágil acordo provisório assinado no mês passado.
Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters, nesta segunda-feira (20), que Teerã recebeu uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, numa tentativa de salvar o acordo provisório. O objetivo é abrir caminho para um acordo duradouro que encerre a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Os preços do petróleo chegaram a superar brevemente os 90 dólares por barril nesta segunda-feira, após novas interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz. Posteriormente, os preços recuaram um pouco depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que mediadores haviam apresentado propostas a Teerã recentemente, sinalizando que os contatos diplomáticos permanecem ativos.
Nem o ministério nem a autoridade que falou à Reuters forneceram mais detalhes sobre as supostas discussões de cessar-fogo.
Paralelamente, duas fontes do governo paquistanês informaram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni — em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana —, pediu ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito do Irã com os Estados Unidos.
Essa intensa atividade diplomática ocorreu depois que a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido instalações militares dos EUA em toda a região, na sequência de mais uma noite de bombardeios americanos contra cidades iranianas.
*Com informações da agência de notícias Reuters
Ataque terrestre contra o Irã seria perigoso e difícil; entenda

