A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Fariseus, na última quinta-feira (17), para desarticular um grupo suspeito de utilizar atividades missionárias em unidades prisionais como fachada para apoiar o Comando Vermelho.
O esquema envolvia membros de uma mesma família que prestavam suporte comunicacional, financeiro e logístico a lideranças custodiadas e criminosos foragidos.
Segundo as investigações, o grupo utilizava a atividade missionária para facilitar o contato com internos na Penitenciária Central do Estado (PCE). O acesso permitia a intermediação de recados entre presos e pessoas em liberdade, além de promover a aproximação com familiares de lideranças da facção.
Embora a denúncia inicial apontasse a entrega de aparelhos celulares e objetos ilícitos no raio de segurança máxima, a comprovação do vínculo deu-se por meio de dados telemáticos.
Foram encontradas fotos, vídeos e registros de conversas que demonstram que a relação dos investigados com a organização criminosa extrapolava a assistência religiosa.

Conexão com o Rio de Janeiro e ostentação
A investigação identificou que mulheres vinculadas ao projeto religioso realizavam viagens frequentes para comunidades no Rio de Janeiro dominadas pela facção.
Registros audiovisuais mostram os investigados em residências de criminosos foragidos, manipulando armas de fogo de grosso calibre, como fuzis e carabinas, algumas delas personalizadas com as siglas da organização.
Em alguns registros, crianças foram flagradas portando armamentos. As diligências também apontaram que integrantes do núcleo familiar mantinham relacionamentos pessoais com líderes do grupo e participavam de videochamadas enquanto comparsas efetuavam disparos de fuzil em áreas sob domínio criminoso.
Lavagem de dinheiro e disciplina interna
O esquema financeiro funcionava por meio de triangulação bancária e fracionamento de depósitos em contas de familiares e terceiros. Os valores eram utilizados para custear viagens, procedimentos estéticos e a aquisição de veículos para membros do grupo.
Além do suporte financeiro, as conversas revelaram que uma das investigadas chegou a solicitar a aplicação de um “salve” — punição disciplinar física — contra um homem acusado de furto. Os envolvidos respondem pelos crimes de integrar organização criminosa, lavagem de dinheiro, tortura e corrupção de menores.
A operação resultou no cumprimento de mandado de prisão preventiva, buscas e apreensões, além da suspensão do ingresso dos investigados em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
A Polícia Civil segue com a análise do material apreendido para individualizar a conduta de cada suspeito.

