Os contratos de setembro do milho e da soja, na Bolsa de Chicago, trabalham em forte viés de alta com ganhos acima de 1% nesta manhã de segunda-feira (20).
Além do retrocesso em um possível acordo de paz e a volta das tensões no Oriente Médio – que fizeram o preço do petróleo disparar e, consequentemente, reflete nos preços dos grãos usados como biocombustíveis – o clima segue ditando o ritmo do mercado internacional especialmente para o milho. A commodity é a que mais tem sentido o impacto das oscilações climáticas nos Estados Unidos.
Previsões mais recentes do Noaa, a Agência de Administração Oceânica e Atmosférica, apontam para chuva abaixo da média em um momento delicado do cultivo aumentando as incertezas em relação a produtividade e o tamanho da safra norte-americana.
Dúvidas abrem oportunidade para o produto brasileiro
De acordo com a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, diferentemente da soja, que segue sustentada por expectativas de demanda mesmo com área plantada maior e estoques elevados nos Estados Unidos, o cenário do milho é considerado mais delicado pelo mercado.
O risco climático tem sustentado os prêmios em Chicago abrindo oportunidade para o produtor brasileiro que avança com a colheita do milho safrinha.
“O mercado está precificando o risco. Ainda não existe uma perda consolidada da safra nos Estados Unidos. Por isso, a orientação é que o produtor brasileiro aproveite as oportunidades que surgem agora, sem apostar que os preços vão continuar subindo indefinidamente. Se o clima melhorar, esse movimento pode perder força rapidamente”, pontua Yedda.
Estratégia de vendas escalonadas ganha força para 2026/2027
Se as chuvas retornarem ao cinturão agrícola americano nas próximas semanas, parte do prêmio de risco hoje embutido nos preços tende a se dissipar, limitando o espaço para novas altas tanto no milho quanto na soja.
Diante da volatilidade, a recomendação da consultoria é que o produtor não tente acertar o topo do mercado e sim negocie a produção em etapas, aproveitando os picos de preço à medida que eles aparecem. A lógica é reduzir a exposição a uma eventual reversão do movimento, caso as condições climáticas nos Estados Unidos melhorem nas próximas semanas.
“É natural que o produtor queira buscar o melhor preço possível, mas é difícil prever até onde o mercado pode chegar. Por isso, fazer vendas escalonadas permite aproveitar os momentos de alta, preservar a rentabilidade e reduzir o risco de uma mudança brusca nas cotações. Especialmente visando a safra 2026/2027 que se aproxima”, afirma Yedda.
Na prática: aproveitar o momento de preços mais atrativos sem depender de uma alta contínua, mantendo o ritmo de comercialização atrelado à evolução do clima nos Estados Unidos que, segundo a analista, deve continuar no centro das atenções do mercado nas próximas semanas.
No Brasil a oferta interna, com avanço da colheita do milho safrinha, exerceu pressão sobre as cotações do cereal na B3 nos últimos dias. Porém a pressão interna sobre os preços do grão foi amenizada pelo mercado internacional, A alta por aqui tem sido bem mais modesta com o escoamento da safra.

