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Agro ganha espaço na transição energética

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 14 horas)
Agro ganha espaço na transição energética

A busca por alternativas para reduzir as emissões da aviação e do transporte marítimo abriu uma nova frente de negócios para o agronegócio. Como a eletrificação ainda enfrenta limitações nesses dois setores, cresce o interesse por combustíveis produzidos a partir de fontes renováveis. O Brasil chega a essa discussão apoiado em uma trajetória consolidada na produção de biocombustíveis, na ampla oferta de matérias-primas agrícolas e na pesquisa desenvolvida ao longo de décadas na área de bioenergia.

Esse foi o ponto de partida da quarta edição do Agroenergia – Transição Energética Sustentável, realizada em 8 de julho, em Brasília. Promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com apoio da Embrapa Agroenergia, o encontro reuniu representantes do setor produtivo, do governo, da indústria, da academia e de empresas para discutir o avanço da produção brasileira de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e de biobunker, combustível renovável voltado ao transporte marítimo.

As discussões ganharam força após a aprovação da Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), que estabeleceu o marco regulatório para ampliar a produção e o uso de combustíveis renováveis no país, incluindo o SAF. Para a CNA, a nova legislação cria condições para acelerar investimentos e ampliar a participação do agro brasileiro em um mercado que deve crescer nos próximos anos.

Nova frente de negócios para o campo

O crescimento da demanda por combustíveis renováveis pode criar novas oportunidades para a agropecuária brasileira. Além da produção de matérias-primas, a expansão desse mercado tende a estimular investimentos em processamento industrial, logística, infraestrutura e inovação, aumentando o valor gerado ao longo da cadeia produtiva.

A CNA defende que o país aproveite essa oportunidade para avançar na industrialização dos biocombustíveis. A proposta é ampliar a produção nacional de SAF e biobunker, agregando valor à produção agropecuária e fortalecendo uma indústria capaz de gerar empregos, renda e novos investimentos.

Na abertura do seminário, o vice-presidente da CNA, Marcelo Bertoni, afirmou que a transição energética mundial dependerá da ampliação da oferta de matérias-primas produzidas de forma sustentável.

“A transição energética mundial não será feita sem o agro brasileiro.”

Segundo Bertoni, o Brasil construiu, nas últimas décadas, uma base sólida na produção de biocombustíveis, investiu em pesquisa agropecuária e incorporou tecnologia ao campo, fatores que ampliaram a produtividade e criaram condições para o desenvolvimento de novas cadeias ligadas aos combustíveis renováveis. Para ele, o desafio agora é transformar essa vantagem em produção industrial, mantendo no país uma parcela maior dos investimentos e da renda gerados por esse mercado.

O potencial econômico dessa cadeia também foi destacado durante o encontro. A produção de SAF e biobunker poderá impulsionar investimentos em armazenagem, transporte, processamento industrial e desenvolvimento tecnológico, criando oportunidades para produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas ligadas à inovação.

Mercado global amplia oportunidades para o agro

A demanda por combustíveis sustentáveis deve crescer à medida que países e empresas adotam metas para reduzir as emissões de carbono. Na aviação, o SAF é apontado como uma das principais alternativas para diminuir a pegada ambiental do setor. No transporte marítimo, o biobunker desponta como uma opção para reduzir o uso de combustíveis fósseis sem comprometer a operação das embarcações.

Para a CNA, esse avanço representa uma oportunidade para ampliar a participação do Brasil em uma etapa mais sofisticada da cadeia de biocombustíveis. A produção de SAF e biobunker pode estimular a instalação de novas indústrias, fortalecer o processamento de matérias-primas no país e gerar renda em diferentes regiões produtoras.

O Brasil parte de uma posição favorável. A experiência acumulada com etanol, biodiesel, biogás e biometano, somada à diversidade de culturas agrícolas e à disponibilidade de biomassa, oferece diferentes rotas para a produção desses combustíveis e reduz parte dos desafios para a consolidação dessa nova cadeia.

Ciência acelera o desenvolvimento do setor

A produção de combustíveis renováveis exige mais do que disponibilidade de matérias-primas. Ganhos de eficiência, desenvolvimento tecnológico e pesquisa aplicada serão determinantes para ampliar a competitividade brasileira.

Durante o Agroenergia, a contribuição da pesquisa agropecuária recebeu destaque como um dos pilares dessa estratégia. O conhecimento acumulado por instituições como a Embrapa foi apresentado como um diferencial para desenvolver novas rotas tecnológicas, aumentar o aproveitamento da biomassa e tornar a produção mais eficiente.

No campo, essa transformação também amplia o papel do produtor rural. Além de fornecer matéria-prima, a adoção de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, à rastreabilidade e às práticas sustentáveis passa a influenciar diretamente a competitividade dos combustíveis brasileiros nos mercados internacionais.

Regulamentação deve definir o ritmo de expansão

Com a Lei do Combustível do Futuro já aprovada, a atenção do setor se volta para sua regulamentação. Para a CNA, essa etapa será decisiva para definir o ritmo de crescimento da produção nacional de SAF e biobunker e criar um ambiente capaz de atrair novos investimentos.

Entre os temas discutidos no Agroenergia estiveram os critérios de certificação, os sistemas de rastreabilidade e a harmonização das normas brasileiras com os padrões internacionais. A avaliação é que esses instrumentos terão papel importante para ampliar a competitividade dos combustíveis produzidos no país e facilitar o acesso aos mercados consumidores.

Regulamentação, segurança jurídica e previsibilidade apareceram de forma recorrente ao longo dos debates. Para a entidade, esses elementos serão essenciais para dar escala à produção, incentivar a instalação de novas plantas industriais e fortalecer uma cadeia capaz de conectar produção agropecuária, pesquisa, indústria e inovação.

Se a produção de alimentos consolidou o Brasil como uma potência do agronegócio, a expansão dos combustíveis renováveis pode abrir uma nova frente de desenvolvimento para o setor. A expectativa da CNA é que o avanço da regulamentação permita transformar a capacidade produtiva do país em investimentos, agregação de valor à produção agropecuária e maior participação brasileira em um mercado que deve ganhar relevância nos próximos anos.

Assista à íntegra do evento: