A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) criticou duramente a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A entidade alerta que a medida deve provocar uma grave perda de competitividade para os produtores nacionais, com impacto direto na indústria mineira, que tem o mercado norte-americano como um de seus principais destinos de exportação.
Desvantagem competitiva em relação a outros fornecedores
Em entrevista ao CNN Money, a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, afirmou que a tarifa de 25% coloca o Brasil em desvantagem em relação a outros países que também fornecem produtos aos Estados Unidos.
“A questão dessa tarifa de 25% em relação ao Brasil especificamente é que ela nos coloca com uma competitividade menor em relação a outros concorrentes, outros países que também fornecem para os Estados Unidos esses mesmos produtos”, afirmou.
Entre os setores mais prejudicados, ela citou equipamentos elétricos, ardósia e pedras preciosas.
Diante desse cenário, a Fiemg orienta as empresas a analisarem a diversificação de mercados, sem necessariamente abandonar os Estados Unidos.
“Não abandonar os Estados Unidos, porque é um parceiro comercial tradicional do Brasil e de Minas, principalmente”, destacou Winter.
Ela ressaltou que Minas Gerais mantém superávit comercial com os norte-americanos, o que torna esse mercado ainda mais relevante para o estado.
Argumentos técnicos não foram plenamente considerados
A Fiemg participou das audiências do USTR, escritório do representante comercial americano, durante o processo de elaboração das justificativas para a taxação. Winter avaliou que, em alguns casos, os argumentos técnicos apresentados por associações e instituições industriais — tanto brasileiras quanto norte-americanas — não foram devidamente considerados.
“Em alguns casos realmente essa análise não foi tão profunda e tão considerada tecnicamente em relação às tarifas e aos produtos brasileiros”, disse.
Um caso positivo, segundo ela, foi o do ferro-gusa, que acabou sendo incluído na lista de isenção após o reconhecimento de sua complementariedade e importância para a economia norte-americana.
Winter também destacou que empresas e associações dos próprios Estados Unidos se posicionaram contra o tarifaço nas audiências, argumentando que a medida impactaria negativamente o comércio e a indústria norte-americana.
Modernização e novos mercados como saída
Para enfrentar o cenário de tarifas restritivas, a Fiemg defende que a indústria invista em modernização e aumente sua competitividade para acessar outros mercados. Winter mencionou a União Europeia — com o recente acordo Mercosul-UE —, além de Singapura e Canadá como destinos com potencial para absorver parte das exportações afetadas.
“É a indústria realmente estar preparada para essa concorrência e para ampliar a presença nesses novos mercados e nessas novas possibilidades de diversificação”, afirmou.
Sobre a possibilidade de reversão do cenário tarifário, Verônica Winter se mostrou cautelosamente otimista. “Acredito que sim. É importante que tenha um empenho em relação às negociações diplomáticas”, disse, acrescentando que, dado o histórico de relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, a questão “possivelmente deveria ser reversível”.
Para ela, a complementariedade entre as duas economias abre espaço para que negociações avancem em um futuro próximo.

