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Haddad pede autocrítica de Tarcísio e união de paulistas contra Trump

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Haddad pede autocrítica de Tarcísio e união de paulistas contra Trump

Com crítica ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) pediu que o povo paulista se una contra a “postura agressiva” do presidente dos EUA, Donald Trump, durante um encontro no Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) na manhã desta quinta-feira (16/7) em Jales, interior do estado.

“Nós não estamos em conflito com os EUA, é o governo Trump que tem problemas conosco. Então, nós precisamos nos unir nessa hora. E o Brasil precisa estar unido para dar uma resposta a essa agressão completamente gratuita ao nosso país. O estado mais afetado pelo tarifaço é o estado de São Paulo, mais uma razão para os paulistas estarem unidos em torno dos interesses nacionais contra essa postura agressiva e indesculpável de um governo que está transformando dois países amigos em países hostis um ao outro, sem o menor cabimento”, disse.

Segundo o ex-ministro da Fazenda, Tarcísio deveria rever seu apoio às políticas de Trump, bem como fazer uma autocrítica por, de acordo com ele, ter sido ingênuo.

“Olha, eu espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Ele tem que reavaliar e fazer uma autocrítica de ter sido ingênuo de imaginar que um outro país fosse defender os interesses do nosso país. Foi uma ingenuidade muito grande”, disse.

O atual chefe do Executivo paulista comemorou a vitória de Trump como presidente dos EUA, em janeiro de 2025, com uso de um boné trumpista com os dizeres: “Make America Great Again (torne a América grande novamente). O entusiasmo de Tarcísio pelo presidente dos EUA já foi expressado por redes sociais em diversos momentos, levantando críticas do seu próprio entorno e da oposição.

Em agosto de 2025, o governador chegou a dizer: “Acho que é fundamental compreender um pouco do estilo do presidente americano. É um presidente que vive da economia da atenção. Que gosta de sentar com o chefe de Estado, botar sentado e dizer: ‘Olha, consegui uma vitória’. E ele está querendo colecionar vitórias. Então, por que não entregar algumas vitórias?”, disse o governador durante um evento promovido pela corretora Warren Investimentos, em São Paulo.

O discurso de Haddad agora ocorre no dia em que os Estados Unidos fizeram anúncio oficial da aplicação do tarifaço de 25% aos produtos brasileiros, que passa a valer a partir do dia 22 de julho. A decisão se baseou em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou “práticas desleais” do Brasil que prejudicariam empresas e exportadores norte-americanos.

Posição de Rubio

A nova medida do governo Trump contra o Brasil apresenta uma lista de exceções para produtos como o café, a carne bovina, peixe, terras-raras e laranja. Em publicação nas redes sociais, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao governo Lula a imposição da nova tarifa.

“Que não haja dúvidas sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”, escreveu.

Enredo “bolsonarista”

Após o anúncio de Washington, o governo brasileiro divulgou uma nota repudiando a imposição da nova tarifa, prometeu reciprocidade, retrucou a versão dada por Rubio e classificou a medida como “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro“.

“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%”, expôs o Planalto.

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