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Após pressão interna, tarifaço dos EUA poupa ferro-gusa e minerais críticos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Após pressão interna, tarifaço dos EUA poupa ferro-gusa e minerais críticos

O governo dos Estados Unidos incluiu o ferro-gusa na lista final de produtos poupados da tarifa adicional de 25% contra o Brasil, após uma pressão de siderúrgicas americanas que alertaram para o risco de a medida encarecer a produção de aço no próprio país.

A inclusão é a principal mudança para o setor mineral em relação à proposta preliminar apresentada em junho pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). Minerais críticos e estratégicos, como minério de ferro, nióbio, grafite, lítio e terras raras, já estavam entre as exceções previstas inicialmente.

A relação definitiva foi divulgada na última quarta-feira (15), junto com a decisão de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros. A cobrança começa em 22 de julho.

O ferro-gusa é um produto intermediário da siderurgia, obtido a partir do processamento do minério de ferro em altos-fornos. Ele ainda não é aço, mas funciona como uma matéria-prima usada por siderúrgicas e fundições para produzir aço e ferro fundido.

O produto brasileiro não havia entrado na lista preliminar de exceções, o que provocou reação principalmente dentro dos próprios Estados Unidos. Empresas e associações americanas argumentaram durante a consulta pública do USTR que a aplicação da tarifa não estimularia uma nova produção local e apenas elevaria os custos das siderúrgicas.

Em audiência pública, a Steel Dynamics, uma das maiores produtoras de aço dos Estados Unidos, afirmou que a tarifa aumentaria de forma significativa seus custos, reduziria sua competitividade e poderia limitar novos investimentos.

A SMA (Steel Manufacturers Association), que representa siderúrgicas americanas que utilizam fornos elétricos a arco, também pediu diretamente que o ferro-gusa fosse incluído na relação final.

A entidade argumentou que os produtores integrados dos Estados Unidos fabricam ferro-gusa principalmente para consumo próprio e praticamente não vendem o produto para outras siderúrgicas. Com isso, empresas que operam com fornos elétricos e fundições precisam recorrer ao mercado externo.

A indústria brasileira também montou uma ofensiva para tentar retirar o ferro-gusa da cobrança. O Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais) contratou advogados para atuar junto às autoridades americanas, apresentou documentos ao USTR e participou das audiências públicas realizadas em Washington

Na decisão final, o próprio USTR reconheceu esses argumentos. Segundo o órgão, historicamente mais de 95% do ferro-gusa produzido nos Estados Unidos é consumido internamente pelas siderúrgicas integradas, o que deixa outros produtores dependentes das importações.

O documento também afirma que existem poucas alternativas ao produto brasileiro. A China consome praticamente todo o ferro-gusa que produz, enquanto a oferta da Rússia e da Ucrânia foi afetada pela guerra. A conclusão da USTR foi de que as importações brasileiras são importantes para atender à demanda americana.

O Brasil foi o maior fornecedor de ferro-gusa aos Estados Unidos em 2025.

Apesar da pressão favorável à exceção, houve divergência dentro da indústria dos Estados Unidos. A Cleveland-Cliffs, uma das poucas empresas americanas que ainda produzem ferro-gusa, defendeu a aplicação das tarifas.

Minerais críticos já estavam poupados

Ao contrário do ferro-gusa, a maior parte dos minerais brasileiros já aparecia na lista preliminar apresentada pelo USTR.

A relação inclui minério de ferro aglomerado e não aglomerado, manganês, cobre, níquel, cobalto, grafite natural e minérios de nióbio, tântalo, vanádio, titânio, urânio e tungstênio.

Também ficaram fora da sobretaxa produtos com algum nível de processamento, como ferronióbio, ferroníquel, compostos de lítio, metais de terras raras e misturas de óxidos de terras raras.

A decisão indica que os Estados Unidos buscaram evitar o encarecimento de matérias-primas das quais a própria indústria americana depende. O USTR afirma que as exceções alcançam produtos cuja taxação poderia provocar falta de oferta doméstica, disrupções mais amplas na economia ou aumento de custos devido à ausência de fornecedores alternativos em quantidade suficiente e a preços razoáveis.

Com a inclusão do ferro-gusa, o setor mineral brasileiro ficou amplamente protegido da tarifa adicional de 25%. A decisão, no entanto, não significa que todos os produtos da mineração foram poupados: segmentos como algumas rochas ornamentais e determinados produtos minerais industrializados continuam expostos à nova cobrança.