A seleção francesa de futebol foi de Boston para Dallas, nos Estados Unidos, para a semifinal da Copa do Mundo no domingo (12) em um jato da GlobalX (Global Crossing Airlines).
A companhia aérea é a mesma que o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) usa para deportar imigrantes irregulares para o exterior, segundo o site norte-americano Politico.
Um dia antes de fazer a viagem com os jogadores franceses, o jato tinha ido à Nicarágua, onde fez uma viagem para levar imigrantes que foram deportados do território americano.
Depois de levar os atletas para Dallas, o avião retomou a rotina de voos de deportação e fez uma nova viagem com imigrantes ao México, afirmou o site.
O Politico relata ainda que rastreou a aeronave para descobrir se o avião era mesmo utilizado em operações do ICE.
Citando fontes, o site informou que durante o segundo mandato do governo Donald Trump, esse mesmo avião realizou cerca de 323 voos da polícia migratória.
Segundo o veículo, representantes da Federação Francesa de Futebol e da Companhia Aérea GlobalX não responderam a um pedido de comentário.
Uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian na quinta-feira (9) afirma que um dos aviões utilizados pelo time de futebol francês realizou 44 voos ligados a deportações somente esse ano e cerca de 950 desde 2022.
Segundo o veículo, o time francês utilizou a Global Crossing Airlines em no mínimo três voos. Essa mesma empresa teria operado mais da metade dos voos de deportação do ICE entre 2024 e 2025.
Imagens publicadas nas redes sociais mostram os jogadores desembarcando de um jato com o emblema da companhia.
Uma investigação do jornal revelou que a empresa atuou como meio para transportar milhares de detidos em território nacional e internacional.
O veículo britânico afirmou, citando fontes, que outras seleções como Inglaterra e Irã também voaram com a companhia aérea entre partidas da competição. O responsável pela contratação do voo e porta-voz da Federação Inglesa de Futebol se recusou a comentar.

