Em dois anos, o Brasil reduziu de 360 mil para 50 mil o número de crianças consideradas “zero-dose” — aquelas que não receberam nenhuma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DPT1) no primeiro ano de vida. Os dados compõem um levantamento realizado pela OMS-UNICEF de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), divulgados nesta quarta-feira (15).
A pesquisa aponta que o país também apresentou melhora na cobertura vacinal ano após ano, ao mesmo tempo que reduziu o número de crianças sem qualquer registro de vacinação.
Em 2023, o Brasil registrava cerca de 360 mil crianças zero-dose. No ano seguinte, em 2024, o número caiu para 255 mil e chegou a 50 mil em 2025. A queda representa aproximadamente 86,1%.
Segundo o UNICEF e a OMS (Organização Mundial da Saúde), a melhora observada entre 2024 e 2025 é atribuída a dois fatores:
- O aumento da cobertura vacinal em todo o país;
- E o aprimoramento dos sistemas públicos de registro e divulgação das informações sobre vacinação, que passaram a fornecer dados mais completos e precisos.
Cenário global
Mundialmente, o levantamento mostra que o cenário de imunização infantil em 2025 apresenta um avanço lento e desigual. A cobertura global permanece abaixo dos níveis de 2019 e segue em uma faixa estreita de variação desde 2009.
De acordo com o estudo, um dos maiores desafios enfrentados é o número de crianças que iniciam a vacinação mas, por alguma razão, não concluem. Estima-se que 7,3 milhões de bebês tenham recebido a primeira dose da DTP, mas abandonaram o calendário antes de serem vacinados contra o sarampo.
Esse número contribuiu para a estagnação da cobertura contra o sarampo: 84% das crianças receberam a primeira dose (MCV1) e 77% receberam a segunda dose (MCV2). No entanto, ambos os índices estão abaixo do limite de 95% necessário para prevenir surtos do vírus.
Segundo o levantamento, a consequência dessa estagnação levou 57 países registraram surtos grandes ou disruptivos de sarampo em 2025.
Cerca de 90% dos bebês, o que representa 116 milhões, receberam ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche em 2025. Outros 85%, o equivalente a aproximadamente 110 milhões de crianças, completaram o esquema de três doses.
Apesar da melhora em relação ao ano anterior, a cobertura mundial ainda permanece abaixo do nível registrado antes da pandemia de Covid-19.
13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma vacina
O estudo indica ainda que cerca de 13,5 milhões de crianças no mundo continuaram sem receber nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. Segundo a OMS-UNICEF, mais da metade dessas crianças vivem em contextos frágeis ou afetados por conflitos, o que influencia diretamente na vacinação delas.
A Síria, por exemplo, perdeu em apenas um ano 6 pontos percentuais na cobertura da primeira dose da DTP e 12 pontos na primeira dose da vacina contra o sarampo. O país vive um cenário de conflitos externos ataques recorrentes.
Países como África do Sul, Bósnia e Herzegovina também registraram uma queda de mais de 20 pontos percentuais na cibertura das vacinas DPT1 e MCV1.
Embora esse contingente tenha diminuído em quase 750 mil em relação a 2024, a OMS e o UNICEF alertam que conflitos, deslocamentos forçados, pobreza e a hesitação vacinal ainda dificultam o avanço da imunização infantil e aumentam o risco de surtos de doenças.
As organizações orientam às autoridades uma correção nessa trajetória de vacinação, através do fortalecimento de imunização em contextos frágeis, no combate de informações falsas e enganosas sobre saúde, além do aumento do financimento doméstico e internacional de programas e parcerias de imunização como a Gavi.
*Sob supervisão de AR.

