Entidades da cadeia da soja e dos biocombustíveis defenderam a elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para B17, argumentando que a medida pode impulsionar o esmagamento de soja, ampliar a oferta de farelo para ração animal e fortalecer a produção de proteínas no país.
Em manifesto conjunto, o setor afirma que o Brasil reúne condições técnicas e produtivas para avançar na política prevista pela Lei do Combustível do Futuro. O documento é assinado pela Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel) e Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene).
“O biodiesel impulsiona o esmagamento da soja, amplia a produção de óleo vegetal, aumenta a disponibilidade de farelo e fortalece toda a cadeia brasileira de proteínas animais. Mais farelo no mercado, significa ração mais barata e consequentemente carne mais barata”, afirmou a nota. Segundo as entidades, esta cadeia representa cerca de 18% do PIB (Produto Interno Bruto), gera aproximadamente 16 milhões de empregos diretos e indiretos e responde por cerca de 26% das exportações brasileiras, tornando-se um dos “principais motores da economia circular e do desenvolvimento econômico”.
“Ao mesmo tempo, a expansão do biodiesel promove a industrialização do agronegócio, agrega valor à produção nacional, fortalece a agricultura familiar por meio do Selo Biocombustível Social, estimula o desenvolvimento regional e reduz emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais, contribuindo também para a saúde pública”, disseram.
O posicionamento acontece no contexto da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), em São Caetano do Sul (SP), para conhecer os testes que avaliam misturas de biodiesel entre B16 e B25. A reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) está agendada para esta terça-feira (14) para discutir a elevação da mistura.
As entidades afirmam que a volatilidade dos preços do petróleo e a instabilidade geopolítica ampliam a relevância dos combustíveis renováveis produzidos no país. Segundo o manifesto, os biocombustíveis representam uma alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, ampliar a segurança energética e fortalecer a economia nacional.
“O Brasil vive um momento singular para consolidar sua liderança mundial em soberania energética e renovável”, afirmam as entidades. O documento acrescenta que essa posição é resultado de “décadas de investimentos em ciência, tecnologia, agricultura e indústria nacional”.
Como argumento para a adoção do B17, o setor destaca a realização de um programa nacional de validação técnica voltado à ampliação da mistura obrigatória de biodiesel. Segundo o documento, a iniciativa reúne 16 laboratórios e universidades e contempla testes de durabilidade, desempenho, emissões, ensaios de campo e análises físico-químicas em motores, veículos e máquinas agrícolas.
De acordo com as entidades, o programa envolve governo, indústria, universidades e fabricantes para garantir que a ampliação da mistura ocorra “com absoluta segurança técnica”. Os resultados obtidos até o momento, segundo o documento, oferecem ao país “condições técnicas para prosseguir com a política pública prevista na Lei do Combustível do Futuro, iniciando um novo ciclo com a adoção da mistura B17”.
Na avaliação do setor, ampliar a participação dos biocombustíveis também reduz a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de petróleo, aumenta a segurança do abastecimento e cria um mecanismo para amortecer a volatilidade dos preços dos combustíveis.
Ao defender a implementação do B17, as entidades afirmam que o país já dispõe de capacidade produtiva instalada, matéria-prima, tecnologia nacional, indústria consolidada e segurança regulatória para avançar. “O Brasil está preparado. Os testes demonstram responsabilidade técnica. O contexto internacional reforça a urgência. Este é o momento de avançar para o B17”, disseram.

