Os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira (13) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que Washington vai cobrar um pedágio de 20% no Estreito de Ormuz. Em publicação na rede social Truth Social, a autoridade também anunciou que o bloqueio aos portos iranianos será retomado.
Na postagem, o americano disse que o estreito está aberto e que os Estados Unidos são o “guardião” da via. “Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos”, disse ele.
“Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como “O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ”, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, afirmou o presidente.
Sobre o bloqueio aos portos, Trump afirmou que a medida impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos. Todos os outros países terão uso livre e irrestrito ao Estreito de Ormuz.
A tensão entre os dois países foi se itensificando nos últimos dias, com as forças dos EUA e do Irã trocando ataques intensos com mísseis e drones durante o fim de semana.
Nesta manhã, Teerã estendeu o conflito e atacou as instalações dos EUA no Golfo, afirmando ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, o que já havia feito os preços do petróleo subirem.
Desde a abertura de mercado, a commodity (produto-primário) passou a avançar consideravelmente e, após o anúncio do presidente americano, às 11h16 (de Brasília), tanto o petróleo Brent, negociado na ICE (Intercontinental Exchange), quanto o WTI, negociado na Nymex, subiam cerca de 4,30%.
Os barris estão sendo negociados por US$ 79,10 e US$ 74,27, respectivamente.
O Estreito de Ormuz é território essencial para a negociação da commodity mundo a fora, responsável pela exportação de um quinto do combustível fóssil no mundo todo.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro deste ano, os preços do petróleo passaram por muitos altos e poucos baixos, chegando a ser negociado a US$ 120 o barril.
Hoje, a quase cinco meses do início do conflito e tentativas frustradas de cessar-fogo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que havia atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit, destruído sistemas de radar em Omã e atingido tanques de combustível e depósitos de munição na Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, em resposta aos ataques dos EUA.
As Forças Armadas dos EUA disseram ter atacado, no domingo, sistemas de defesa aérea iranianos, estações de radar costeiras, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações, utilizando aeronaves, navios de guerra e drones.
Em entrevista à agência de notícias Reuters no domingo, Trump disse estar “dando uma surra” no Irã, mesmo afirmação que deu à CNN em março deste ano. Trump ainda afirmou que considera o cessar-fogo encerrado, embora deixe a porta aberta para novas negociações.
O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom igualmente desafiador, postando no X no domingo: “A era dos acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.”
A guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro desestabilizou o Golfo e se espalhou por toda a região, com o Irã atacando bases dos EUA em vários países. Milhares de pessoas foram mortas, principalmente no Irã e no Líbano.
O bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã elevou os preços da energia e alimentou preocupações com a inflação em todo o mundo. Os valores mais altos da gasolina, por exemplo, são tópicos politicamente delicados para Trump às vésperas das eleições para o Congresso em novembro.
*Com informações da Reuters
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