O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino decidiu bloquear o patrimônio de políticos sem mandato investigados no esquema de desvio de emendas parlamentares, mesmo diante de parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A medida atingiu dois nomes centrais nas investigações: Valdemar Costa Neto (PL) e o ex-deputado Eduardo Cunha. Ambos negam ter cometido irregularidades, e as investigações seguem em andamento.
“Alguns líderes partidários dizem que as decisões mirando exatamente as emendas parlamentares tendem, segundo o sentimento desses políticos, a ‘apertar o cerco‘ sobre parlamentares de direita”, declarou a âncora Tainá Falcão durante o Bastidores CNN desta segunda-feira (13).
Após a divulgação das decisões, Hugo Motta (Republicanos-PB) informou que a Câmara cumprirá integralmente as determinações do STF e colaborará com o envio das informações requisitadas por Dino.
Ele ressaltou o compromisso institucional da Casa com a transparência e a legalidade dos procedimentos administrativos. No entanto, o presidente da Câmara classificou a decisão como uma “indevida intervenção judicial“.
Tainá afirmou que, para deputados do entorno do presidente da Câmara, a instituição não teria outra alternativa a não ser responder institucionalmente à decisão.
“Nos bastidores, porém, esses mesmos líderes apontam que há, segundo eles, um desequilíbrio na apuração, indicando que Flávio Dino tem mirado em personagens de centro e da direita”, destacou a âncora.
A avaliação desses parlamentares, de acordo com a apuração de Tainá, é de que o caso tem potencial de crescer e alcançar outros nomes de destaque da política nacional.
Mariângela Fialek
Um dos personagens que mais chama atenção nas decisões de Dino é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Ela é uma servidora da Câmara dos Deputados e é apontada pela Polícia Federal como peça-chave para operacionalizar as emendas parlamentares alvo de investigação.
“Segundo a PF, Tuca ocupava uma posição estratégica no trâmite desses recursos e teria dado suporte à atuação de agentes políticos externos, sem mandato, como Valdemar Costa Neto e o ex-deputado Eduardo Cunha, com quem aparece trocando mensagens muito claras sobre a destinação de emendas”, explicou Tainá.
A relação de Fialek com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL) também é apontada como ponto de atenção por líderes partidários. Ela teria atuado em cargos de confiança durante o período em que Lira presidiu a Câmara, consolidando sua influência na estrutura administrativa da Casa.
A decisão de Dino, no entanto, não atribui a Lira participação direta no que está sendo investigado. Hugo Motta aparece em menção indireta, no contexto da continuidade da atuação de Tuca em relação às emendas e por sua reação política às decisões do STF.
“Até o momento, não foram tornados públicos, elementos que indiquem investigação sobre irregularidades ou indicação direta de Hugo Motta”, destacou Tainá.
Expectativa de novos alvos
A âncora da CNN afirmou que, nas conversas com líderes partidários, dois nomes surgiram como possíveis alvos futuros: Arthur Lira, que até o momento não figura como alvo das investigações, e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
“Fica o sentimento de que esses deputados estão “de mãos atadas”. Eles dizem que não têm o que fazer, cada um que aparecer que se defenda”, revelou Tainá. Segundo ela, a classe política entende que o Supremo busca criminalizar a utilização das emendas.
Dino afirma nas decisões que a Câmara simplesmente não está cumprindo o que foi acordado em determinações proferidas em 2024 a respeito das emendas de comissão.

