O contrato futuro do cacau para entrega em setembro encerrou a sessão desta segunda-feira (13) com queda de 3,68%, cotado a US$ 5.842 por tonelada na Bolsa de Nova York.
Segundo a Barchart, os preços da commodity registraram o segundo pregão consecutivo de forte desvalorização, pressionados pelo aumento da oferta da Costa do Marfim. O movimento amplia as perdas iniciadas na última sexta-feira (10), após a divulgação de novos dados de embarques do maior produtor mundial de cacau.
De acordo com os números mais recentes, os produtores marfinenses enviaram 2,07 milhões de toneladas de cacau aos portos do país no atual ano comercial, iniciado em 1º de outubro de 2025, até 5 de julho de 2026. O volume representa um avanço de 21% em relação ao registrado no mesmo período da temporada anterior, reduzindo as preocupações do mercado com a disponibilidade global da commodity.
Café
Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do café arábica para entrega em setembro fechou a sessão com queda de 1,27%, cotado a US$ 3,30 por libra-peso.
Segundo a Barchart, as cotações foram pressionadas pelas previsões de tempo seco nas principais regiões produtoras de café do Brasil ao longo desta semana. As condições climáticas mais favoráveis devem acelerar os trabalhos de colheita, reforçando a expectativa de aumento da oferta no curto prazo.
A consultoria também destacou que a volatilidade no mercado segue elevada em razão da baixa liquidez. Após a Intercontinental Exchange (ICE) elevar, por duas vezes na semana passada, as exigências de margem para negociação dos contratos futuros de café, muitos fundos reduziram suas posições, diminuindo a liquidez e ampliando os movimentos de alta e de baixa nas cotações.
Açúcar
O contrato futuro do açúcar com vencimento em outubro encerrou a sessão desta com queda de 0,87%, cotado a 14,75 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo análise da StoneX, o mercado devolveu os ganhos registrados no início da semana, quando o contrato chegou a superar temporariamente o patamar de 15 centavos de dólar por libra-peso. O recuo reflete um cenário de equilíbrio entre fatores de sustentação dos preços, como as preocupações climáticas na Ásia e na Europa, e fundamentos que ainda indicam oferta confortável no curto prazo.
A consultoria destaca que a redução das posições vendidas pelos fundos impulsionou as cotações nas últimas semanas, mas em intensidade inferior à observada em ciclos anteriores, sinalizando que o mercado ainda enxerga um cenário de sobreoferta. Além disso, a dificuldade de o contrato se manter acima de 15 centavos reforça a presença de forte pressão vendedora.
No Brasil, a queda dos preços do etanol hidratado tem estimulado usinas do Centro-Sul a ampliar a fixação de vendas de açúcar, enquanto a redução dos prêmios de exportação no porto de Santos enfraquece as expectativas de uma demanda excepcional pelo produto brasileiro.
Para os próximos meses, a StoneX avalia que o clima seguirá como o principal fator de atenção. Embora as chuvas tenham melhorado na Índia, permanecem as preocupações com os impactos de um possível El Niño mais intenso sobre a próxima safra. Com isso, o mercado deve continuar oscilando entre a pressão de uma oferta abundante no curto prazo e os riscos climáticos que podem apertar o balanço global na temporada seguinte.
Suco de Laranja
O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com desvalorização de 3,72% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,37 por libra-peso.
Algodão
Já no mercado do algodão, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou a sessão desta segunda-feira (13) praticamente estável, com leve queda de 0,04%, cotado a 81,51 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo a TradingView, as cotações chegaram a superar os 82 centavos de dólar por libra, maior patamar em cerca de dois meses, impulsionadas pela valorização do petróleo e pelas preocupações com o clima em importantes regiões produtoras.
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã mantiveram as incertezas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, fator que sustentou os preços do petróleo e, consequentemente, deu suporte ao mercado do algodão.
Além disso, as condições climáticas seguem no radar dos investidores. A previsão de chuvas abaixo da média durante a temporada de monções na Índia pode atrasar o plantio da fibra, que já apresenta ritmo 23% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Apesar desse cenário de sustentação, os ganhos foram limitados pelas perspectivas de maior oferta global. O avanço das exportações brasileiras para os mercados asiáticos e as estimativas mais recentes de produção, que apontam safras maiores no Brasil e nos Estados Unidos, além de um crescimento modesto do consumo mundial, continuam pressionando o mercado.
Como o agronegócio enfrenta o risco climático que muda a cada safra

