O Estreito de Ormuz está repleto de minas (que estão sendo removidas gradualmente); portanto, para entrar e sair, há duas opções: navegar rente à costa norte de Omã ou utilizar a rota de navegação designada pelo Irã.
O Irã quer muito que os navios utilizem sua rota — chegando a atacar com drones embarcações que navegam pelo lado de Omã para deixar isso claro. Foi exatamente isso que desencadeou a recente escalada de ataques contra navios-tanque na rota.
As empresas de navegação parecem estar acatando a orientação, pelo menos por enquanto. Das 22 passagens confirmadas pelo Estreito de Ormuz na quinta-feira (9), apenas uma embarcação utilizou o canal do lado de Omã, segundo a Kpler, empresa que utiliza dados de transponders e satélites para rastrear navios.
Vale notar: Alguns navios estão desligando seus transponders e tentando passar rapidamente, por isso não está claro exatamente quantas embarcações estão entrando e saindo do estreito. No entanto, a marca de 22 travessias representa uma queda acentuada em relação às cerca de 40 a 50 registradas nas últimas semanas e um número significativamente menor do que os mais de 100 trânsitos diários que ocorriam antes do início da guerra.
“Com o controle de Ormuz ainda sendo um ponto central de disputa entre Washington e Teerã, é provável que os operadores mantenham a cautela, sejam seletivos quanto às rotas e estejam mais dispostos a adiar trânsitos não essenciais até que haja evidências mais claras de uma desescalada”, afirmou a Kpler em um relatório.
Pausa nos ataques diante de diplomacia
Os exércitos dos Estados Unidos e do Irã pausaram nas últimas horas a intensa troca de bombardeios que tomou conta do Oriente Médio nos últimos dois dias.
A CNN apurou que esforços diplomáticos têm sido feitos nos bastidores para amenizar as tensões no conflito dos dois lados, segundo uma autoridade americana.
Os EUA têm realizado ataques de forma deliberada e, em seguida, feito pausas para evitar uma escalada e permitir que a diplomacia atue, afirmou a autoridade.
O país mantém uma lista de alvos como meio de pressão.
Dias de intensos bombardeios
A aparente calma veio depois de dois dias de intensos bombardeios essa semana.
- Primeiro, o Irã disparou contra três embarcações comerciais na terça-feira (7) em águas territoriais de Omã, próximas ao Estreito de Ormuz, segundo uma autoridade americana, que classificou os ataques como uma “grave violação” do memorando de entendimento firmado com o Irã.
- Em seguida, os Estados Unidos anunciaram o restabelecimento das sanções às vendas de petróleo iraniano em retaliação aos ataques. O preço do petróleo Brent subiu mais de 5% nesta terça-feira. A medida elimina uma das principais concessões feitas ao regime iraniano em troca da reabertura da hidrovia.
- O Centcom (Comando Central dos EUA) informou pelo seu perfil no X que as forças armadas dos EUA realizaram uma série de ataques contra alvos iranianos em retaliação pelos bombardeios iranianos contra três embarcações comerciais em Ormuz.
- A mídia estatal do Irã informou que várias pessoas ficaram feridas por destroços de “projéteis inimigos” na cidade costeira de Sirik.
- O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, deixou o Iraque, onde estava para as celebrações fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, com destino ao Irã depois dos ataques dos EUA.
- O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão dos Departamento do Tesouro dos EUA de retomar as sanções sobre a venda do petróleo iraniano, afirmando que a medida viola o memorando de entendimento para o fim do conflito.
Irã já colocou minas no Estreito de Ormuz em outra guerra; entenda

