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Justiça exige que Marcelo D2 inclua nome de compositora em canção; entenda

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Justiça exige que Marcelo D2 inclua nome de compositora em canção; entenda

O músico Marcelo D2, 58, recebeu ordem liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para incluir nome de sambista em composição de seu último álbum. O desembargador Jean Albert de Souza Saadi determinou que o rapper e a gravadora Universal Music Brasil incluam o nome artístico da compositora Geovana na regravação da faixa “Tataruê”, presente em seu último lançamento “Manual Prático do Novo Samba Tradicional, Vol. 3”.

O caso teve início em maio de 2026, quando Geovana e o coletivo musical que a representa, o Coletivo Sindicato do Samba, entraram com processo judicial ligado à violação de direitos autorais. A sambista alega que a obra foi utilizada por Marcelo sem consulta prévia e sem o devido reconhecimento de sua autoria. Além dos créditos, a discussão aborda o respeito à ancestralidade do samba e outras problemáticas do uso da canção para fins comerciais.

Parte dos pedidos ainda está sendo analisada pela Justiça, mas a exigência da inclusão dos créditos representa primeiro avanço no processo. Após repercussão, o coletivo publicou nota oficial esclarecendo o andamento do caso e ressaltou o histórico da carreira de Geovana.

“Foi com espanto que Geovana tomou conhecimento da gravação recente de sua música ‘Tataruê’ pelo rapper Marcelo D2, uma vez que não autorizou e sequer foi comunicada pela Universal ou pelo intérprete”, disse a nota.

“Aos 78 anos, Geovana é pedra 90, bamba da mais alta patente. Quem não conhece, procure saber: ficou conhecida como Deusa Negra do Samba Rock, conviveu com nomes como Candeia, Silas de Oliveira e Beatriz Nascimento, e é uma das rainhas do nosso samba. Como afirmou Nei Lopes: “negra sem preconceito e feminista com carinho”. O trecho da nota faz referência a alguns versos da canção “Fonte que Eu Bebo”, de D2, no álbum Iboru, que celebra a ancestralidade do samba e a reinvenção.

Em resposta, Marcelo D2 usou as redes sociais na noite da última quarta-feira (8) para se pronunciar sobre o caso. “Tenho imenso respeito por Geovana, por sua obra, por sua história, assim como pelo samba”, escreveu ele nos stories do Instagram.

“Me entristece muito que a homenagem tenha chegado a esse lugar. Me entristece como artista, como pessoa, como alguém que construiu sua vida inteira tentando aproximar gerações, linguagens e tradições sem desrespeitar quem veio antes”, lamentou o artista.

“Tataruê” é um dos carros-chefe das composições de Geovana

Autora de músicas como a clássica “Irene”, em parceria com o artista Beto sem Braço, “Amor dos Outros” e “Pisa nesse chão com Força”, Geovana ficou longos 30 anos no esquecimento até retomar sua carreira nos anos 2010, a partir do início da relação com o Coletivo Sindicato do Samba. Seu primeiro disco foi lançado nos anos 1975 e incluía a canção que agora alega ter sido apropriada pelo rapper.

Na nota publicada pelo Coletivo Sindicato do Samba, a entidade destaca que a música reúne referências à ancestralidade negra da artista, à religiosidade de matriz africana e à própria história familiar, citando nominalmente seus filhos na letra. O coletivo também sustenta que a versão gravada por Marcelo D2 preserva elementos da gravação original, mas sem os devidos créditos.

Para eles, a discussão vai além da apropriação dos direitos autorais e atravessa um debate sobre negritude, etarismo e respeito aos pioneiros da música popular. O texto cita a importância de valorizar os mestres do samba “em vida” e, por consequência, a tradição, elemento que fundamenta o gênero musical.

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