As possíveis tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros têm gerado preocupação não apenas no Brasil, mas também entre empresas norte-americanas.
Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), que participou das audiências públicas realizadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), relatou que companhias norte-americanas já cogitam reduzir custos com pessoal diante do cenário de sobretaxação.
A investigação que embasa as possíveis tarifas abrange temas como desmatamento ilegal, pirataria, o sistema de pagamentos Pix, e questões relacionadas ao comércio de etanol.
Segundo Azevêdo, houve pouco esforço por parte dos participantes das audiências em contra-argumentar os temas elencados na investigação.
“Houve um esforço bem superficial de dizer que nada disso justifica as medidas que vocês estão se preparando para adotar”, afirmou.
Decisão considerada inevitável
Para Azevêdo, há uma percepção de que a adoção das tarifas pelo governo norte-americano é praticamente certa. Ele destacou que outra investigação, sobre importação de produtos com trabalho forçado, já abarca 60 países.
“Não há uma expectativa realista de que a tarifa não será adotada”, declarou.
Diante disso, o esforço nas audiências públicas de segunda (6) e terça-feira (7) foi direcionado a demonstrar os impactos negativos das medidas para os próprios Estados Unidos.
Diversas empresas e setores presentes nas audiências argumentaram que as tarifas seriam contraproducentes do ponto de vista norte-americano, pois elevariam os custos de produção e encareceriam insumos da cadeia produtiva.
“Houve empresas lá que disseram: vou ter que fechar linhas, porque não consigo esses insumos em outros países ou com outros fornecedores”, relatou Azevêdo.
Segundo ele, algumas companhias afirmaram não ter capacidade de fabricar determinados produtos nos Estados Unidos no curto prazo, levando anos para desenvolver essa infraestrutura.
Possibilidade de exceções
Apesar do cenário adverso, Azevêdo demonstrou um otimismo moderado ao observar o tipo de perguntas feitas pelo comitê de investigação do USTR durante as audiências.
Questões técnicas, como a disponibilidade de fornecedores alternativos, a qualidade e o volume dos produtos oferecidos por outros países, e o impacto no preço final, foram levantadas pelo comitê.
Para Azevêdo, esse comportamento abre a possibilidade de que alguns produtos ou setores sejam incluídos em uma lista de exceções às medidas da Seção 301.
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