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De apagado no Real Madrid à liderança na França: a transformação de Mbappé

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
De apagado no Real Madrid à liderança na França: a transformação de Mbappé

Para muitos, a França é a favorita para vencer a Copa. Chegou à final das duas últimas edições, manteve o mesmo técnico para a terceira Copa consecutiva e conta com uma constelação — ainda mais do que há três anos e meio. Mas, em meio a todo esse brilho, uma estrela se destaca mais do que as outras, e essa é, sem dúvida, Kylian Mbappé.

O atacante, que já foi campeão em 2018 e vice em 2022, está tendo um mês imparável. Sete gols em cinco jogos, duas assistências, inúmeras demonstrações de genialidade e uma conclusão: se em 2018 vimos sua velocidade e em 2022 sua capacidade de marcar gols, em 2026 veremos Mbappé como um líder.

O camisa 10 da França se sente como o porta-estandarte da seleção. E não apenas por usar a braçadeira de capitão. Este Mbappé joga, impõe respeito e até fala como o líder do grupo.

Ele demonstrou isso em campo e nos microfones após a vitória contra o Paraguai, quando respondeu com veemência às provocações dos jogadores paraguaios em campo.

Números de Mbappé no Real

Mas esta versão é muito diferente daquela que ele deixou para trás durante seus quase 10 meses no Real Madrid. O que mudou?

Ou melhor, será que algo mudou? Kylian marcou 42 gols em 44 jogos pelo Real Madrid na temporada 2025/2026, além de sete assistências. A principal deficiência, claro, é a falta de títulos, algo que os torcedores do Real Madrid não perdoam facilmente, e ele, como principal estrela do time, recebe mais críticas do que os demais.

O final da temporada, em que se recuperou de uma lesão longe de Madri, enquanto o time terminava suas partidas em meio a brigas no vestiário e derrotas, só aumentou o descontentamento dos torcedores.

Fome de Copa

Mas a realidade é que algo também mudou entre aquele Mbappé e o que vemos desfazendo defesas adversárias com dribles magistrais e potência explosiva.

Ele parece estar em seu elemento e demonstra uma sede de vingança, porque, mesmo já tendo uma Copa do Mundo em sua coleção de troféus, ninguém gosta de perder outra. E Mbappé joga com essa voracidade, a fome de quem quer se vingar e acertar as contas.

Há outra mudança, mas não o envolve diretamente. Na França, Mbappé tem mais apoio do que tinha no Real Madrid. Nenhuma defesa entra em campo contra os franceses com um plano anti-Mbappé. Por quê?

Kylian Mbappé, da França, comemora gol contra o Senegal com Dayot Upamecano, Jules Koundé e Rayan Cherki
Kylian Mbappé com seus companheiros de França neste Mundial • REUTERS/Dylan Martinez

Simplesmente porque os Bleus têm muito talento além do seu camisa 10. Tentar marcar Kylian só daria ainda mais liberdade a Ousmane Dembélé e Michael Olise, e ninguém quer que isso aconteça, porque tanto o jogador do PSG quanto o do Bayern de Munique fazem uma enorme diferença quando têm espaço.

Então Mbappé entra no jogo que mais gosta: situações de um contra um. É a sua zona de conforto. E quando prefere se posicionar como centroavante, ele o faz sabendo que suas diagonais encontrarão um passe em profundidade de seus companheiros de equipe, como contra Senegal ou Iraque.

Isso também explica a facilidade com que o craque da equipe joga, não apenas em termos de habilidade futebolística, mas também em relação ao moral. Depois de um ano decepcionante em seu clube, com muitos gols, mas nenhum título, ele sente que pode fazer história com a França.

Apenas a Alemanha Ocidental e o Brasil chegaram a três finais consecutivas da Copa do Mundo. A França, com os gols de Mbappé, sonha com uma terceira final seguida e uma terceira estrela em seu escudo.

Pela primeira vez, quartas da Copa ficam sem Brasil, Alemanha e Itália