Um dos presos durante a Operação Quéops, deflagrada nesta quinta-feira (9/7) pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais (DCV), da Coordenação de Repressão às Fraudes (Corf), foi localizado em Manaus, em uma área dominada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). Com ele, agentes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apreenderam um relógio Rolex e outros itens de luxo.
Além do suspeito preso, outros dois investigados apontados como líderes do esquema foram alvos de mandados de busca e apreensão em Santa Maria (RS) durante a operação, que apura um esquema milionário de pirâmide financeira. A investigação teve início após uma empresária do Distrito Federal perder cerca de R$ 245 mil ao investir em uma suposta plataforma de investimentos que, segundo a polícia, operava como uma fraude.






Apreensão durante a Operação Quéops
Reprodução / PCDFRolex apreendido em Manaus
Reprodução / PCDFPCDF desmantela pirâmide milionária caribenha que arruinou empresários
Reprodução / PCDFUm dos presos durante a Operação Quéops
Reprodução / PCDFOs investigados prometiam multiplicar renda em uma plataforma de investimentos
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Empresária do DF é vítima
A operação teve início após a denúncia de uma moradora do DF. Ela perdeu cerca de R$ 245 mil ao investir os valores na falsa estrutura financeira.
Segundo as investigações, a vítima acreditava estar aplicando dinheiro em investimentos legítimos e realizou transferências de R$ 18,6 mil, R$ 62,7 mil e R$ 63,6 mil, além de diversos outros depósitos.
Quando tentou resgatar parte dos supostos lucros, a mulher descobriu que os valores não existiam. Um falso consultor, então, entrou em contato e alegou que seria necessário pagar novas taxas para desbloquear a carteira de investimentos e liberar os recursos que estariam retidos.
A empresária seguiu a orientação e fez novas transferências, de R$ 4,8 mil, R$ 42,4 mil e R$ 50 mil, além de outros pagamentos menores. Somente após desembolsar aproximadamente R$ 245 mil, percebeu que havia sido vítima de um golpe.
Entenda como o grupo agia:
- As investigações apontaram que os criminosos utilizavam uma plataforma falsa apresentada como uma empresa internacional especializada em investimentos de alta rentabilidade;
- Para transmitir credibilidade, eles divulgavam anúncios patrocinados nas redes sociais utilizando imagens de pessoas conhecidas, o que atraía investidores;
- Com o discurso de uma oportunidade imperdível para multiplicar o patrimônio, os golpistas direcionavam os interessados para uma página de cadastro;
- Horas depois, as vítimas eram contatadas por um suposto consultor financeiro, que ligava de um número internacional;
- Na conversa, ele explicava que a empresa tinha sede em São Vicente e Granadinas, no Caribe, e atuava em diversos países por meio de investimentos em criptomoedas e ativos financeiros;
- No entanto, a suposta companhia não possuía CNPJ nem autorização para operar no Brasil.
Investimento, resgate e bloqueio
Convencidas pela promessa de altos lucros, as vítimas iniciavam os investimentos por meio de depósitos bancários. No começo, toda a negociação era realizada pelo WhatsApp. Posteriormente, os clientes eram induzidos a utilizar outras plataformas, onde mantinham contato diário com o suposto consultor e com falsos especialistas.
Nesse ambiente, eram apresentados gráficos que simulavam a valorização constante do patrimônio, com saldos cada vez maiores, reforçando a falsa impressão de que os recursos estavam sendo aplicados no mercado financeiro internacional. Acreditando que obtinha excelentes resultados, a vítima continuava realizando novos aportes.
Movimentação do dinheiro
Segundo os investigadores, o caso envolvendo a empresária do DF era justamente o método utilizado pela organização criminosa para manter as vítimas realizando novos aportes. Sempre que um investidor solicitava o resgate dos valores, surgiam novas exigências de pagamentos referentes a taxas, impostos ou custos administrativos, que nunca resultavam na liberação do dinheiro.
Enquanto isso, os recursos eram rapidamente distribuídos entre diversas contas bancárias dos próprios investigados ou por pessoas ligadas ao grupo criminoso. O montante circulava em empresas de fachada e operações envolvendo criptoativos, dificultando o rastreamento dos valores e dando aparência de legalidade às operações, característica típica de esquemas de lavagem de dinheiro.
A quebra do sigilo financeiro também revelou movimentações incompatíveis com a realidade econômica dos investigados. Um dos principais alvos da operação movimentou milhões de reais antes mesmo de completar 23 anos, apesar de declarar renda modesta e de ter recebido auxílio emergencial do governo federal durante a pandemia.

